água de qualidade
água de qualidade

Do “apagão” de abastecimento de água que o Rio de Janeiro vive hoje para um cenário em que uma população de 13 milhões de pessoas tenha água de qualidade e tratamento de esgoto em 12 anos, além da injeção de R$ 46 bilhões na economia e criação de 400 mil empregos diretos e indiretos.

Essa é a projeção feita pelas entidades ABCON e ABDIB em um estudo inédito sobre o impacto econômico da concessão de serviços da companhia estadual de saneamento do Rio de Janeiro, a Cedae. O edital para a concessão está pronto para ser publicado.

A protelação da abertura da licitação para 2021 poderá reabrir novas discussões sobre o assunto e regredir o processo, que já passou por audiências públicas e prevê investimento direto de R$ 31 bilhões para universalizar os serviços de água e esgoto em 47 municípios. Com as concessões, favelas não-urbanizadas do Rio de Janeiro receberão investimento mínimo de R$ 1,86 bilhão em água e esgoto.

Entre os setores que serão beneficiados e vão acelerar a oferta de empregos estão a construção civil, fabricantes de máquinas, equipamentos e materiais plásticos, tecnologia e serviços. Uma vez que as concessionárias estarão espalhadas por todo o estado, haverá grande incremento de contratações locais.

Para o estado, que enfrenta grave situação fiscal, o impacto em arrecadação de impostos chega a quase R$ 1,4 bilhão com destaque para o ICMS, com previsão de arrecadação de cerca de R$ 633 milhões.

Saúde, educação, meio ambiente e urbanização das favelas estão entre os benefícios – Basta imaginar o quanto o Rio de Janeiro ganharia com uma Baía da Guanabara limpa para se ter uma dimensão dos benefícios de se interromper a permanente falta de recursos para o saneamento no estado.

Diariamente, 282 toneladas de esgoto, ou 28 caminhões cheios de material que deveria ser tratado antes de voltar para a natureza, são despejadas na Baía da Guanabara. Isso equivale a um Cristo Redentor de dejetos sendo descarregado a cada quatro dias no cartão postal da Cidade Maravilhosa.

A depender do atual nível de investimentos da Cedae, o problema só será resolvido no próximo século. Com a licitação, o prazo cairia para 12 anos.

Os níveis atuais de atendimento da Cedae atingem apenas 88% da população com acesso a abastecimento de água e somente 37% com acesso a coleta de esgoto.

Com a licitação, a empresa poderá ter uma receita significativa com a venda de água bruta, reduzir custos operacionais e ser financeiramente sustentável, sem onerar os cofres públicos na reversão dos seus passivos.