A economia e a sustentabilidade pós-pandemia da Covid-19

São Paulo-SP 20/5/2020 – Para os céticos em relação ao futuro, visto a finito da condição humana, o amanhã já chegou e parou para preservar vidas em 2020.

O Brasil, assim como os demais países, vive no ano de 2020 um momento de tomadas de decisões rápidas e urgentes para conter a propagação do Covid-19. Existe uma crise de saúde, que impacta na economia global, entretanto são nos momentos de crises que surgem o ambiente propício para as novas práticas na economia.

O Brasil, assim como os demais países, vive no ano de 2020 um momento de tomadas de decisões rápidas e urgentes para conter a propagação do Covid-19. Existe uma crise de saúde, que impacta na economia global, entretanto são nos momentos de crises que surgem o ambiente propício para as novas práticas na economia.

Nasce um novo mundo pós Covid-19, e será que nascerá um novo modelo econômico para o Brasil? O atual modelo pouco contribuiu para minimizar o grande problema nacional: a desigualdade social.

O Nobel de Economia de 2018 premiou os pesquisadores Willian Nordhaus e Paul Romer que abordaram o crescimento sustentável a longo prazo na economia global e o bem-estar da população. A natureza – as condições em que se vive – é quem determina as condições em que se está, pois é o conhecimento que difere a capacidade de gerenciar essas condições.

Em 2017, o Nobel de Economia premiou Richard Thaler pelas contribuições da economia comportamental com interesse especial em psicologia, considerando o incentivo para influenciar no comportamento e nas tomadas de decisões.

Em janeiro de 2020, o Fórum Econômico Mundial de Davos, na comemoração do 50º aniversário lançou o novo manifesto de Davos, que menciona que as empresas devem harmonizar os interesses das partes interessadas com políticas e decisões que busquem a prosperidade a longo prazo. O documento menciona que as empresas devem proteger a biosfera e defender a economia circular, compartilhada e regenerativa. O manifesto reforça que o desempenho não deve ser medido pelo retorno de acionistas, mas também como ele impacta seus objetivos ambientais, sociais e de boa governança.

O vírus Covid-19 tem sua origem, segundo hipótese, no mercado chinês de animais silvestres por transmissão ou por mutação do vírus. Sabe-se também que ambientalistas argumentam que a pandemia de coronavírus é um alerta para entender os limites do planeta e que o desmatamento, a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas tornam as pandemias mais prováveis.

Ser um gigante, lamentavelmente desigual, mas comprovadamente green é a principal vantagem competitiva do Brasil após a Covid-19 no mercado nacional e internacional. São 58,9% de floresta preservadas, 80% da energia brasileira vem de fontes renováveis e 20% da água doce do mundo está em subsolo brasileiro. Gigante, não só porque está no hino nacional, mas porque o Brasil é o 6º país em área terrestre, a 9ª maior economia mundial e o 2º maior exportador de alimentos no mundo. São 6 biomas preservados: floresta amazônica, mata atlântica, pantanal, cerrado, caatinga, pampa, sendo que 60% da floresta amazônica está no Brasil. Apenas são 33,9% de terras com atividade agrícola assim distribuídos: terra arável 9,7%, culturas permanentes 0,8% e pastagem permanente 23,4%, segundo dados do Banco Mundial e da FAO.

A sociedade vive os últimos dias, e viverá por um período ainda desconhecido às consequências emocionais e econômicas do coronavírus. É preciso soluções que possam auxiliar na recuperação da economia. Por que o Brasil então não assume sua posição global de ser sustentável? Não se sugere a criação de impostos, previstos na teoria da economia ambiental. Se propõe que o Brasil possa aproveitar a ocasião das crises e rever a sua gestão, suas políticas públicas e a sua imagem global no aspecto ambiental, econômico e social.

No cenário da recuperação econômica, a exportação se apresenta como uma proposta pouco explorada. Menos de 1% das empresas brasileiras exportaram em 2019. No agronegócio, o investimento em tecnologia agrícola aumentará a produtividade, a qualidade e a preservação dos rios e dos solos simultaneamente, agregando um diferencial às commodities agrícolas. Certificações e criações de selos de reconhecimento de qualidade posicionarão os produtos brasileiros em um novo patamar, assim como pode se repensar em ampliar o portfólio dos produtos agrícolas, como chás, cafés, mel, cereais, raízes, peixes e principalmente a fruticultura.

Na preservação do meio ambiente e na biodiversidade, estudos podem apontar com precisão como explorar com responsabilidade as riquezas minerais e naturais em equilíbrio com o ecossistema em sinergia com projetos de Estado. É o momento oportuno para investir em tecnologias na bioeconomia.

É a biotecnologia envolvendo a prevenção, controle, promoção de saúde e soluções para salvar vidas. Na área da saúde, pesquisar sobre os princípios ativos e os fármacos que podem ser produzidos a partir de matérias primas dos biomas brasileiros.

A agenda da bioeconomia precisa sair dos comitês e conselhos majoritariamente de ativistas ambientais e pesquisadores universitários e ir para as deliberações de alto nível da economia brasileira e dos industriais. É fundamental uma visão econômica contemporânea do mundo e colocar a prática dentro dos gabinetes da Economia e no chão de fábricas. Para os céticos em relação ao futuro, visto a finito da condição humana, o amanhã já chegou e parou para preservar vidas em 2020.

O Brasil é um gigante e espera-se que nesta crise possa se reconhecer como tal, pois o Brasil vencerá a crise da saúde e a crise econômica com união e a capacidade da superação. Cabe ao governo aproveitar as crises e rever o modelo econômico para a recuperação mais rápida da economia, pela diminuição das diferenças sociais, pelo reposicionamento global como o país que cuida dos brasileiros e também do futuro da humanidade.

Katiane Gouvêa, é Consultora, Relações Institucionais e Governamentais. Conselheira da Câmara Setorial das Fibras Naturais do Ministério da Agricultura. Conselheira da Câmara Temática da Agricultura Orgânica do Ministério da Agricultura. Diretora e Coordenadora do Comitê de Cultura da Abrig – Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais. Foi Secretária do Audiovisual da Secretaria Especial de Cultura. Assessora de Negócios Internacionais na Gerência de Exportação da Apex-Brasil- Agência Brasileira de Promoção a Exportação. Foi professora universitária, conteudista e consultora nas áreas de design, inovação e mercado no SEBRAE e no Centro Brasil Design.

Para saber mais sobre esse e outros projetos para a recuperação da economia brasileira, entre em contato através do e-mail katiane@growbr.com e gouvea.katiane@fgv.edu.br

Website: https://www.anovaagriculturadobrasil.com/