A flexibilização do isolamento social por alguns Estados no Brasil e a experiência mundial com o retorno da Covid-19 em uma segunda onda de infecções

São Paulo/SP 15/5/2020 – “tão preocupante quanto a pandemia em si, é o cenário de fome que vem se apresentando” José De Moura Teixeira Lopes Junior

Os perigos de uma 2ª onda da Covid-19 acometer o país por precipitação na flexibilização

Os números seguem alarmantes. Em uma escalada diária, já passa de 180 mil o número de infectados no Brasil, o 6º lugar no ranking mundial, e 12,5 mil vítimas fatais até o momento (atualizado em 13/05/2020), de acordo com o levantamento feito pela universidade norte-americana Johns Hopkins. É diante dessa realidade que se deve decidir que medidas de flexibilização do isolamento são possíveis, em um trabalho coordenado entre União, estados e municípios.

O Brasil é um país de dimensões continentais, com uma população de 220 milhões de pessoas e pelo menos cinco grandes realidades diferentes organizadas em regiões. Para alguns municípios e Estados, discute-se a flexibilização, como em São Paulo – e a passos lentos. Para outros, como São Luís e Belém, a fase é de lockdown, ou isolamento total. Tomar o caminho errado significa abrir as portas para uma 2a onda de infecções, o que terá consequências não só locais, mas também regionais, estaduais e até internacionais.

“Medidas e protocolos severos devem ser adotados, assim como a conscientização da comunidade, para que pensemos em retomar esta ou aquela atividade econômica, que não deixa de ser um fator muito importante para a manutenção das famílias”, afirma o empresário dos segmentos de infraestrutura e logística José de Moura Teixeira Lopes Junior. De acordo com Mourinha, como é conhecido, “tão preocupante quanto a pandemia em si, é o cenário de fome que vem se apresentando e também precisa nortear as tomadas de decisão”.

Muitos outros empresários compartilham da mesma opinião. Precisa-se planejar e tomar atitudes frente à atual situação do país, mas com respaldo da comunidade médico-científica e estudos que assegurem o rumo a ser tomado. Há experiências a observar. Há casos de países que apostaram na flexibilização ou isolamento vertical e que acabaram atingidos pela segunda onda do vírus. Trata-se de um retrocesso que conduz a um processo cujas consequências ainda não são conhecidas. Esse é o momento da pandemia da Covid-19 que se enfrenta, por exemplo, na Alemanha, na Coreia do Sul e na China. Isso mostra que o controle das infecções disparadas inicialmente não significa um controle efetivo sobre o processo de infecções.

Além de ações e iniciativas governamentais, o que vem gerando grande preocupação, é o comportamento do brasileiro. As taxas de isolamento social, medida ainda em vigor em vários Estados, vêm caindo progressivamente, quando o ideal é que se mantenham em torno de 50%, em média e a 70% ,quando há alerta sobre eventual colapso do sistema público de saúde.

Com frequência, vídeos mostram pessoas nas ruas de grande atividade comercial circulando nos supermercados, caminhando em grupo em calçadões, aglomeradas em filas de casas lotéricas e de postos de atendimento bancário. Padarias e restaurantes isolaram suas mesas para que não haja consumo no interior dos estabelecimentos, mas as portas de entrada viraram o balcão do atendimento supostamente para delivery, mas na verdade é a base para degustar petiscos e bebidas, o que leva a rodas de conversa com os clientes da ocasião.

Atualmente, mais de 100 vacinas estão sendo desenvolvidas, sendo 8 delas em fase de experimentação em humanos. É um alento. Porém, até a comprovação de sua eficácia e liberação para aplicação em humanos, o tempo estimado é de 8 a 12 meses de pesquisas. Junte-se a isso o tempo para produção em massa da vacina, bilhões de doses para salvar a população mundial. Até lá, só a responsabilidade do cidadão consigo e com a sociedade pode mostrar que município está ou não preparado para a flexibilização do isolamento. Aí sim, o segundo e fundamental momento da estratégia: a ação coordenada entre os entes federais sobre a flexibilização possível para cada microrregião do país. Responsabilidade social e coordenação de ações governamentais, resume Mourinha.