Adriana Calcanhotto encerra turnê “Marge

No dia 08 de fevereiro, sábado, Adriana Calcanhotto se apresenta no Circo Voador, Rio de Janeiro, para encerrar a turnê do disco “Margem” com participações de dois grandes nomes da nova geração: Mahmundi e Rubel. A cantora Ana Cañas fará a abertura do show.

A estreia nacional da turnê ocorreu em agosto de 2019, percorrendo cidades de todo o país. Em outubro, “Margem” aportou nos Estados Unidos e passou pela Europa em seguida. Antes de encerrar 2019, Adriana gravou o registro audiovisual da marcante turnê, que aconteceu na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, com a participação do cantor Rubel.

A cantora assina a direção do espetáculo de seu álbum, lançado em junho de 2019. A banda que a acompanha é formada pelos mesmos músicos que tocaram e coproduziram com ela o seu mais recente trabalho de estúdio. Rafael Rocha (mpc, bateria, percussão, Handsonic, assovio), Bruno Di Lullo (baixo e synth) e Bem Gil (guitarra e synth), os dois últimos estiveram com Calcanhotto na turnê A Mulher do Pau Brasil, que rodou o Brasil no segundo semestre de 2018.

O repertório do show tem como esqueleto as canções de Margem (2019) e resgata músicas de Maritmo (1998) e Maré (2008), os outros dois discos da trilogia marinha (como “Mais Feliz”, “Vambora”, “Quem Vem Pra Beira do Mar”), além de sucessos da carreira de Adriana, como “Devolva-me” e “Maresia”, canções arranjadas especialmente para o espetáculo, como “Futuros Amantes”, de Chico Buarque, de 1993, que a cantora gravou como faixa exclusiva para a versão japonesa do álbum Margem. “Canção irmã de “Os ilhéus”, apontam as duas para muito tempo depois de nossa civilização, e apostam as duas no amor e na virtude como humanidades sobreviventes aos tempos. Não saberemos. As duas canções irmãs só se encontram no palco (e no disco japonês) e em sequência. É dos momentos mais fortes do show, pra mim, no sentido do quanto uma canção pode exigir de nós em termos da nossa capacidade de rendição à beleza. Será que um dia Copacabana será a nova Atlântida? Chico Buarque e Antonio Cicero é quem sabem”, especula a compositora.

“No primeiro ensaio olhei para a banda e falei ‘vamos fazer um luau’. Esse foi o primeiro sentimento. Luaus dependem da força do vento, do tempo que ele sopra numa só direção, da maré, e esse show é assim; completamente dependente do mar. Com os ensaios porém, fui percebendo que o emaranhado de textos do roteiro, que tem muitos ecos e referências literárias, foi se superpondo à ideia de luau, que é a princípio menos complexo. Os arquétipos marinhos foram dando as caras, a meu ver em função da sonoridade que alcançamos tocando juntos tanto tempo depois das gravações do disco. O som do show não quis ser o som do disco, o universo timbrístico teve que se expandir pra conter as canções da trilogia e mais as outras todas e isso era previsto mas o som do show resultou mais relaxado, mais vagabundo. Interessante foi notar as ligações que as canções começaram a fazer entre si independentemente da minha ação. De certa forma, fui observando o roteiro se fazer a si próprio, maneira inteiramente nova pra mim de conceber um espetáculo”, finaliza.

Presente ao longo de toda turnê, o show traz a lojinha Margem com uma pegada sustentável. O espaço tem diversas opções de produtos e souvenirs que estarão à venda antes e após o espetáculo. Em parceria com a empresa Papel Semente, a tag das camisas, feita com papel artesanal, ecológico e biodegradável, poderá ser plantada e em 20 dias nascerá uma flor chamada de mosquitinho branco. Já as sacolas plásticas utilizadas na lojinha são da empresa Tudo Biodegradável. A decisão ecológica é fruto de uma parceria com a ONG Funverde, que investe no plantio de árvores.