Amazonas: um grande desafio logístico para o Ministério da Saúde no combate à Covid-19

São Paulo/SP 21/5/2020 – “Acredito que o General Pazuello tem muito a acrescentar ao Brasil” – José de Moura Teixeira Lopes Junior

As intervenções com resultados positivos na região do Amazonas, a logística mais complicada do Brasil

Com mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, dividido em 62 municípios, o estado do Amazonas oferece um grande desafio durante a pandemia, além das dimensões do estado. Uma agravante nas dificuldades é a logística de transporte entre as 62 cidades amazonenses. Apenas 12 delas têm acesso por estradas a Manaus, a capital, única que dispõe de atendimento em leitos de UTI e onde foi concentrada a estrutura de emergencial para tratamento da Covid19. As demais ficam na dependência de transporte aéreo (que é para poucos) ou fluvial, principal meio de transporte para a grande maioria, modal que pode levar até 6 dias de navegação para se chegar a Manaus – tempo decisivo na equação entre vida ou morte de um paciente.

Interinamente no cargo de Ministro da Saúde, o General Eduardo Pazuello, manauara de nascimento, especializado em operar crises humanitárias e um dos grandes especialistas em logísticas complexas do país, tem se mostrado extremamente competente na condução da crise pandêmica que vivemos. Três dias após ter tomado posse como Secretário Executivo da Saúde, Pazuello atendeu ao pedido de socorro do Estado, então em pleno colapso do sistema público de saúde, participou ativamente da distribuição de equipamentos e insumos hospitalares para o Estado, na iminência de um lockdown. A estratégia adotada fez com que equipamentos e insumos chegassem a Manaus diretamente dos fornecedores, evitando assim o desembarque nos depósitos do governo, gerando um ganho no tempo de distribuição.

“Acredito que o General Pazuello tem muito a acrescentar ao Brasil e, em especial, ao estado do Amazonas durante essa pandemia, por sua larga experiência logística e também por ter raízes no estado, visão e domínio sobre suas particularidades” diz José de Moura Teixeira Lopes Junior, empresário do ramo logístico da região. Mourinha, como é chamado, foi próximo ao pai do general, Nissim Pazuello, que comandava uma escola de equitação em Manaus na qual treinavam os alunos do Colégio Militar, onde o empresário, também manauara, estudou. “Seu Nissim abrigava gratuitamente os cavalos do colégio militar em sua escola e também conduzia o treinamento da nossa cavalaria”, lembra Moura Jr.

Com a ação coordenada entre o Ministério da Saúde e o governo do estado, houve uma redução na velocidade do registro de novas infecções no estado e pela primeira vez, o número de casos no interior do estado superou as ocorrências da capital. Agora, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), que já vinha do desafio de recuperar um estado dominado 36 anos pela velha política, em parceria com Pazuello, volta-se para o interior, com prioridade para comunidades ribeirinhas e indígenas.

Resultado inconteste dos bons resultados das ações empreendidas foi a diminuição da letalidade do vírus no estado: a redução foi de 8,9% para 6,85%, segundo o Atlas ODS Amazonas. Esses levantamento de dados resulta do Programa de Pós-graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e os números correspondem aos da FVS (Fundação de Vigilância em Saúde).

De maneira geral, observa-se no estado a queda na adesão ao isolamento social, comportamento que produziu um novo perfil de infecção: 70% dos novos casos estão na faixa entre 20 e 59 anos, não mais entre a população idosa, nem necessariamente entre portadores de comorbidades – doenças crônicas associadas, como diabetes e cardiopatias. Isso mostra que a responsabilidade dos cidadãos com sua própria proteção e diante da sociedade, com respeito ao isolamento social, que segue como principal arma contra novas infecções e controle da doença. Enquanto o mundo aguarda uma vacina que o salve da COVID-19, somente o isolamento social resultou em sucesso como estratégia para atenuar os efeitos da pandemia. Mas os resultados serão tão mais efetivos quanto mais houver colaboração do conjunto da sociedade e a forte participação do Estado, principalmente onde estiver em curso a liberação controlada de atividades econômicas.