Esta semana acontece o fórum mundial de articulação e mobilização para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, chamado de AMAZÔNIA+21. A ideia é conectar governos, empreendedores, cientistas, pesquisadores, setor produtivo, investidores e sociedade para criar um ambiente de conscientização e mobilização no que diz respeito ao futuro da Amazônia, capaz de fomentar negócios inovadores para o desenvolvimento sustentável de toda região.

Em 2020, o bioma mais afetado com as queimadas foi a Amazônia, com 45,6% dos casos registrados no ano acontecendo por lá, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inep). Ainda segundo o Inep, de janeiro a setembro deste ano, o número de focos de queimadas na área foi o maior desde 2010. Rafael Zarvos, fundador da Oceano Resíduos e especialista na Gestão de Resíduos Sólidos, explica como as queimadas são prejudiciais.

As queimadas na Amazônia interferem diretamente nas chuvas do centro-oeste, sudeste e sul do país. Quanto maior o desmatamento na Amazônia, menor a capacidade de retenção de água pela floresta, uma vez que as árvores são destruídas. Com menos água retida, há uma diminuição da evaporação, que provoca a escassez de chuva, já que o vapor de água da floresta é carregado por massas de ar, os chamados ‘rios voadores’, até os Andes e depois retornam para nós em forma de chuva. O resultado é a falta de chuva para o agronegócio e a crise hídrica“, esclarece Zarvos.

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo, e estima-se que tenha 40 mil espécies de plantas, milhões de insetos e 400 mamíferos. O bioma ocupa sete milhões de quilômetros quadrados e faz parte de nove países da América do Sul. O Amazônia +21 é o principal fórum para fomentar a geração de negócios sustentáveis e valorização cultural da região até 2040, com a missão de criar, articular e mobilizar agentes capazes de transformar o ambiente amazônico.

Por isso, é fundamental a participação de líderes e a sociedade também, de modo que todos possam fazer escolhas ambientalmente conscientes para ajudar a preservar o meio ambiente. A forma como a sociedade está transformando o meio ambiente e reduzindo os habitats naturais, faz com que animais silvestres e seres humanos se aproximem também, e isso potencializa o risco de transmissão de variados patógenos da espécie deles para a nossa”, aponta Rafael.

Doenças como a zika, que somada a dengue e chikungunya contabilizaram um aumento de 248% do número de casos no ano de 2019, é exemplo de enfermidade que veio da cena rural para a urbana pelo avanço do desmatamento em áreas florestais. Em relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), é possível ver que a cada quatro meses o ser humano tem uma infecção originária de problemas relacionados ao meio ambiente, e que 75% das doenças são de origem animal.

O consumo de carne crua de animais silvestres, o desmatamento, as mudanças climáticas e o tráfico ilegal de animais silvestres são fatores que contribuem para facilitar o contágio de seres humanos por patógenos que vivem na natureza e nas espécies que ali habitam. “A destruição da natureza coloca em risco a nossa própria existência. O coronavírus, por exemplo, responsável pela pandemia que vivemos, é fruto do contato de humanos com morcegos“, destaca Rafael.