Floresta próxima ao Rio Tapajós, na região da Terra Indígena Sawré Muybu, no Pará. © Valdemir Cunha / Greenpeace
Floresta próxima ao Rio Tapajós, na região da Terra Indígena Sawré Muybu, no Pará. © Valdemir Cunha / Greenpeace

Entre os dias 18 e 20 de outubro, Belém (PA), vai sediar o Encontro Amazônico da Biodiversidade. O fórum vai discutir ações e alternativas para uma economia capaz de conviver com a floresta amazônica de pé, assegurar direitos e distribuição de renda justa. O debate está sendo organizado pelo Conselho Nacional do Seringueiros (CNS), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e outras organizações de povos e comunidades tradicionais.

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Mais de 100 lideranças amazônicas estarão presentes, além de uma série de convidados para os debates necessários para a consolidação de uma estratégia de transição que leve a Amazônia para uma nova ordem econômica. O encontro vai ocorrer simultaneamente ao Fórum Mundial da Bioeconomia, também sediado em Belém e organizado em colaboração com o governo do estado do Pará. A discussão de bioeconomia enquanto solução para o desenvolvimento da Amazônia atinge diretamente seus povos e comunidades tradicionais – que hoje tem sob sua tutela cerca de 30% do território amazônico. Sem terem sua participação integrada à construção e realização do Fórum Mundial, os movimentos sociais entendem que a discussão pública não pode avançar sem sua atuação e envolvimento. Por isso irão realizar o Encontro Amazônico da Sociobiodiversidade.

“Nós, povos indígenas e populações tradicionais, já promovemos a sociobiodiversidade há milênios, através de nossa relação com a floresta e com nossos territórios. É fundamental que a nossa atuação e importância seja reconhecida e fortalecida a partir de nossos conhecimentos. Estamos promovendo esse evento para criar um espaço de discussão e marcar nossa posição nesse debate sobre bioeconomia”, enfatizou Toya Manchineri, assessor político da Coiab.

A presença de lideranças de diferentes regiões da Amazônia reforça o protagonismo destes povos e comunidades não somente na elaboração e realização do Encontro, mas também em seu impacto na discussão da bioeconomia e nos seus desdobramentos. Ao final do encontro, será redigida a Carta da Amazônia. Fruto dos três dias de discussões, é esperado que o documento marque publicamente as principais recomendações dos povos tradicionais para para a necessária transição econômica. A ideia é permitir a conservação do bioma e o respeito aos direitos fundamentais de seus povos e comunidades tradicionais, bem como dos milhões de brasileiros que habitam as cidades da região.

“Acreditamos que o desenvolvimento da Bioeconomia não deve ser feito de forma isolada e que deve estar inserida num contexto mais global, com a participação de todos os atores envolvidos, em especial das populações tradicionais que, além de ter o conhecimento, têm conservado estes sistemas florestais ao longo dos tempos”, afirma Julio Barbosa, presidente do CNS.