Cacau Sustentável da Amazônia

Representantes da cadeia envolvida na produção e comercialização de cacau na Amazônia brasileira, colombiana e peruana avançam na proposta do trabalho conjunto para o posicionamento dos diferenciais do produto nos mercados globais. A construção do plano de trabalho entre os três países, impulsionado pela Tropical Forest Alliance (TFA), plataforma global de múltiplos atores, é explicitado em vídeo que pode ser acessado aqui.

“A iniciativa surgiu dos diálogos regionais que promovemos regularmente”, explica Andrea Werneburg, Coordenadora Regional da TFA América Latina. “Ela busca atrair o olhar de investidores e compradores para a região por meio de um sourcing responsável, com rastreabilidade, e que garante um desenvolvimento local sem prejuízo ao meio ambiente”.

Nativo da região, o cacau encontra na Amazônia as condições climáticas favoráveis para se desenvolver, o que beneficia suas propriedades organolépticas e de aroma. Além disso, as culturas podem ser manejadas em sistemas que preservem a diversidade das espécies, como em arranjos agroflorestais. Assim, torna-se uma ferramenta de simultânea produção e recomposição de áreas degradadas.

Para José Yturrios, Diretor da Aliança Cacau Peru, “A ideia de um cacau amazônico é muito interessante para a América Latina, possibilitando a divulgação em bloco do produto nos mercados internacionais, com ênfase em aspectos como conservação, rastreabilidade, não-desmatamento e sustentabilidade social”.

De fato, a interligação da cadeia produtiva do cacau amazônico pode gerar transformação social, aumentando a renda para os pequenos produtores, que compõem a imensa maioria dos agricultores do fruto nos três países. Na Amazônia brasileira, cerca de 18.500 produtores geram uma média de 135 mil toneladas de amêndoas de cacau por ano, enquanto no Peru, são aproximadamente 138 mil os produtores de cacau, com média de 136 mil toneladas de produção anual. Já na Amazônia Colombiana, são cerca de 1.558 famílias produtoras em uma área cultivada de 13.206 hectares.

“Uma estratégia regional para o cacau amazônico pode cumprir um papel importante rumo ao desmatamento zero ao nos oferecer modelos agroflorestais que gerarão maior conectividade nas diferentes áreas da floresta amazônica e a possibilidade de uma renda melhor para um número maior de habitantes”, afirma Wendy Arenas, Diretora da Fundação Alisos, que exerce a Secretaría Técnica da Iniciativa Cacao, Bosques e Paz, Colômbia.

“Sem dúvida, essa é uma grande oportunidade para toda a cadeia nos três países, pois existem grandes áreas disponíveis, sem a necessidade desmatamento, e o cacau pode ser uma alternativa de renda muito significativa para o pequeno produtor da Amazônia. Trata-se de um enorme potencial para a tranformação social na região”, finaliza Pedro Ronca, Coordenador da Cocoa Action Brasil.