Pesquisa da Anbima revela que mais de 60% dos brasileiros não poupou em 2019. A casa de análises indica como reverter esse cenário para garantir uma saúde financeira equilibrada na maturidade

Quem não tem o hábito de poupar tem enfrentado desafios durante a crise atual, e, se podemos extrair uma lição deste momento, é a de que o planejamento financeiro é imprescindível. É necessário ter reservas tanto para emergências, quanto para garantir uma aposentadoria tranquila no futuro, de acordo com objetivos e desejos de cada um. Em seu relatório mais recente, Samuel Torres, analista-chefe da Capital Research, primeira casa de análises 100% gratuita do Brasil, ressalta justamente quais são as principais variáveis que se deve levar em consideração ao planejar a aposentadoria. 

“O tema pode soar óbvio, mas infelizmente ele ainda não faz parte da realidade do brasileiro. Muitos não tratam o investimento como prioridade, ou não pensam em aposentadoria quando jovens. Com isso, acabam enfrentando adversidades que poderiam ter sido evitadas se o hábito de poupar e investir fosse recorrente”, explica Torres. Um exemplo prático deste cenário está entre os achados da terceira edição da pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), com apoio do Datafolha, lançada em junho de 2020.

Os números do estudo revelam que 62% da população brasileira não poupou no ano passado, aumentando assim a vulnerabilidade em casos de emergência, ou crise. Já a Pesquisa de Preparo para a Aposentadoria, lançada pelo Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, feita com trabalhadores e aposentados de 15 países, incluindo o Brasil, indica que 79% dos respondentes não têm um plano formal para a aposentadoria e somente 40% se preocupam com a possibilidade de ficar sem recursos financeiros. 

O relatório assinado por Torres e disponível gratuitamente no site da Capital Research oferece algumas orientações para quem não quer fazer parte dessas estatísticas.

Como fazer uma estimativa de aposentadoria?

Para começar, segundo o analista-chefe é preciso levar em consideração algumas variáveis, sendo as principais delas: a idade atual do investidor; qual é a idade que se pretende aposentar; qual é a expectativa de vida; saber qual é o retorno dos investimentos; e, finalmente, entender qual é o patrimônio financeiro atual.

“Considerando uma rentabilidade real [acima da inflação] de 4,0% ao ano e uma alíquota de Imposto de Renda no resgate de 15%, uma pessoa de 35 anos, por exemplo, que deseja se aposentar aos 65 e obter uma renda mensal de R$ 10 mil, precisa juntar R$ 2.851,00 por mês, considerando que ela viverá até os 85 anos e que o patrimônio atual dela é zero”, demonstra Torres, entre vários outros exemplos citados no relatório.

Após estabelecer esses parâmetros, o analista-chefe orienta a começar o quanto antes, principalmente pelo fato de que “os investimentos funcionam como uma ‘bola de neve’, quanto mais tarde você começar, menor o efeito dos juros compostos e, portanto, maior o valor que você terá que poupar sozinho”, explica o especialista.

Por fim, é preciso ter em mente que imprevistos acontecem ao longo do caminho e isso pode fazer com que o valor a ser poupado mude periodicamente. “Na vida real, ninguém guarda um valor exato de forma constante. Normalmente, conforme haja um progresso na carreira e aumentos salariais, é possível economizar e investir mais. Então, o investidor não deve ficar desapontado se não conseguir guardar o que é preciso hoje, pois é possível compensar economizando mais no futuro”, conclui Torres.