Esses maravilhosos profissionais, muitas vezes são invisíveis à sociedade e ao poder público.

Com o cenário atual na saúde pública devido à pandemia, muitos profissionais estão diante de imensas dificuldades para realização de seus importantes e dignos trabalhos, como é o caso dos Catadores & Catadoras.

Segundo estimativa do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), existe cerca de 800 mil Catadores & Catadoras em atividade no país.

Eles desempenham um papel fundamental no âmbito da Lei nº 12.305/10 que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). E atuam como verdadeiros agentes ambientais nas atividades da coleta seletiva, triagem, classificação, processamento e comercialização dos resíduos reutilizáveis e recicláveis, contribuindo de forma significativa na gestão correta dos resíduos sólidos.

Esses maravilhosos profissionais fazem um trabalho ambiental, social e econômico, de forma gratuita para a sociedade e ao poder público e em condições precárias com riscos sérios a sua própria saúde.

Trabalham de sol a sol de forma individual ou coletivamente por meio de cooperativas e associações, e muitas vezes sem o descanso nos finais de semana e feriados.

E todos eles têm histórias de muitas lutas e sofrimentos devido ao estado de vulnerabilidade em que viviam e vivem atualmente.

Muitos começaram a fazer a coleta dos resíduos para a sua sobrevivência, com sacos nas costas, outros com carrinhos improvisados sem a menor condição de locomoção, outros com carroças puxadas por animais ou por eles mesmos, outros com carros antigos cortados para fazerem uma caçamba, e muitas vezes fazem o trabalho em troca de algum alimento.

Fazem longos trajetos levando consigo pesados resíduos na busca de suas sobrevivências e de suas famílias.

Lembrando que os valores adquiridos com a coleta dos resíduos não cobrem os gastos com a logística.

E essa rotina traz reflexos na saúde dos Catadores & Catadoras, deixando sequelas por todas suas vidas.

E muitos não têm condições de estudar ou fazer algum curso, pois passam o dia inteiro na rua num processo repetitivo de coleta e descarte dos resíduos urbanos, e ao terminar o dia, estão exaustos demais e precisam descansar para no dia seguinte, começarem a rotina novamente.

E com o cenário de pandemia em que vivemos atualmente, muitos Catadores & Catadoras sequer tem luvas e máscaras para trabalharem, álcool em gel ou em liquido então, nem pensar!

E as condições de trabalho destes maravilhosos profissionais deveriam permear o debate das políticas sociais tão esquecidas e vulneráveis em nosso país, como a valorização da força de trabalho, a prestação de serviços aos municípios e a sociedade como a educação ambiental, o descarte correto dos resíduos, a logística reversa e o incentivo ao fomento de inovações que atendam as necessidades dos Catadores & Catadoras.

Os municípios e as empresas poderiam ou deveriam fornecer os EPIs (Equipamento de Proteção Individual) de forma gratuita para a proteção dos trabalhadores no sentido de eliminar os riscos de vida e de saúde aos Catadores & Catadoras no ambiente em que desenvolvem as suas atividades de coleta dos resíduos, além de alguns municípios eliminarem a ideia de que o lixo deve ser enterrado ou incinerado, onde a incineração prejudica e muito o trabalho dos Catadores & Catadoras além de impactar negativamente na saúde pública.

Segundo Sergio da Silva Bispo, conhecido como Bispo Catador, da Kombosa Seletiva, a unidade de negócio entre os Catadores & Catadoras fomenta a comercialização conjunta e a valorização dos trabalhos com qualidade e melhores condições de atuação. Segundo ele, o poder público e as grandes empresas precisam investir em espaços, tecnologia, equipamentos e EPIs (Equipamento de Proteção Individual).

E esses profissionais são os que mais identificam a necessidade de informações e esclarecimentos no âmbito da Educação Ambiental nas escolas, na sociedade e no poder público.

Mas também alguns deles são carentes de orientação no âmbito da educação ambiental quanto ao manuseio dos resíduos na coleta seletiva.

E com o aumento do volume de resíduos gerados devido ao isolamento social, os Catadores & Catadoras independentes tem se confrontado com desafios imensos para a realização de seu trabalho, onde muitas cooperativas encerraram suas atividades por falta de um plano emergencial nas questões da coleta de resíduos por parte do poder público. E com isso houve um aumento da demanda de resíduos para um menor número de Catadores & Catadoras disponíveis.

A conclusão é que todos os impactos negativos que envolvem os trabalhos diários dos Catadores & Catadoras, precisam ser mitigados com urgência, de forma permanente e com integração nas ações, para que realmente tenhamos um mundo melhor, mais justo e mais inclusivo, de acordo com a Agenda 2030 e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) onde todas essas ações estão contempladas em praticamente todos os objetivos dessa importante agenda. E são questões diversificadas  que afetam diretamente o planeta e a humanidade. 

Devemos reciclar não apenas os resíduos, mas o comportamento e a consciência humana.”

(Sergio da Silva Bispo – Bispo Catador)