Um novo estudo do Boston Consulting Group (BCG) estima que a indústria naval precisa de US$ 2,4 trilhões em investimentos para zerar suas emissões até 2050 e alcançar a principal meta do Acordo de Paris. Mais da metade desse montante (cerca de US$ 1,5 trilhão) seria destinado aos setores de energia e químico para desenvolver combustíveis alternativos à base de hidrogênio e para construir ou aprimorar instalações de refinamento, armazenamento e distribuição de combustível.

A Organização Marítima Internacional (IMO, da sigla em inglês) prevê, contudo, que apenas metade das emissões do setor sejam cortadas até 2050. Nesse cenário, empresas, governos e ONGs pressionam por medidas mais fortes da indústria naval em benefício do meio ambiente.

Os clientes do setor também apoiam a descarbonização. Um levantamento do BCG com 125 empresas que dependem de transporte marítimo mostrou que 71% pagariam mais caro por um frete neutro em carbono, enquanto 67% estão menos inclinados a trocar de fornecedor caso ele seja neutro em carbono.

Em média, os clientes afirmam que pagariam 2% a mais em um frete sustentável. Porém, o BCG calcula que a taxa teria de aumentar de 10% a 15% para financiar a transição da indústria rumo ao net-zero em 2050. Por isso, outras medidas são necessárias, como apoio do setor público até a maturação da tecnologia e novos financiadores.

“A indústria naval deve tomar decisões difíceis de investimentos, desenvolvimento de tecnologias e novas parcerias para se descarbonizar completamente. Os players que se comprometerem antes com esses objetivos poderão desfrutar de vantagem competitiva ao se anteciparam à demanda de seus clientes, valorizando alternativas de baixo carbono para as respectivas cadeias produtivas”, avalia Arthur Ramos, Senior Advisor em Clima e Energia do BCG.

O estudo recomenda uma abordagem mais profunda para entender riscos e oportunidades com a descarbonização completa até 2050. São sete as áreas cruciais: demanda do cliente, regulamentação e financiamento (motores de descarbonização); eficiência operacional, eficiência tecnológica e combustíveis do futuro (alavancas de transição); e colaborações de ecossistema. O passo a passo está disponível no estudo completo, disponível neste link .