Pantanal e Amazônia são as regiões brasileiras que mais precisam de doações na plataforma do Vakinha

Os recentes incêndios florestais que acometeram diversas regiões do globo são considerados os maiores de todos os tempos em escala e emissões de gás carbônico na atmosfera, segundo estudo da Nasa, a agência espacial norte-americana. Realizada há 18 anos, a pesquisa mostrou que, além da Austrália e Estados Unidos, os maiores focos foram em território brasileiro, no Pantanal e na Amazônia. No Vakinha, site de financiamento coletivo, já foram criadas diversas vaquinhas nos últimos dois meses pedindo doações em dinheiro para proteger esses biomas afetados pelas queimadas.

Só para ter uma ideia, o Pantanal já perdeu 15% de sua área original. Regiões como essa são famosas pela biodiversidade e essenciais na absorção de carbono e combate ao aquecimento global do planeta. “Especialistas dizem que não se via esse ritmo de desmatamento e queimadas há mais de dez anos. Com esse cenário assustador, não ficamos surpresos quando vimos aumentar o número de vaquinhas para esse propósito”, conta Luiz Felipe Gheller, CEO do Vakinha. “Nossa missão é ser o primeiro passo para colaborar com a causa, de forma rápida e segura”, afirma o executivo.

Apesar dos incêndios terem acontecido em outros pontos do globo, a origem em cada um deles é diferente. Enquanto na costa oeste dos Estados Unidos eles são causados pela intensa seca, no Brasil o principal motivo é o desmatamento desenfreado. Dona Jô mora em um assentamento no Acre e é agricultora orgânica na região. Ela teve sua propriedade invadida pelas chamas vindas das áreas vizinhas, destruindo a vegetação que mantinha próxima de sua casa. Sua campanha está sendo organizada por pessoas que se alimentam dos produtos da Dona Jô e outros produtores da ACS Amazônia, a organização de controle social que garante a qualidade orgânica dos produtos. Para reestruturar o sítio de Dona Jô e apoiar as famílias que se alimentam da agricultura local, a vakinha precisa arrecadar R$ 38 mil.

No Pantanal, o pescador Samuel foi outra vítima do fogo. Ele teve suas chalanas, que eram fontes de sustento, transformadas em cinzas. A ajuda de R$ 6 mil solicitada pela neta do pescador nessa vakinha é para restabelecer novos terrenos, assim como garantir a adubação do solo que se tornou impróprio para o plantio. Na região mato-grossense, as vítimas do desmatamento e das queimadas também incluem os animais. Por isso, a Fundação Ecotrópica, de Cuiabá, em razão da estiagem e do alto índice de queimadas, coleta doações para ajudar diversos locais da região onde a fauna têm sofrido com o fogo e a falta de água e alimentos. Os recursos são destinados para construir cochos de água e ilhas de alimentação. Com mais de 3 mil apoiadores até o momento, a meta é alcançar R$ 600 mil.

Responsável pelo equilíbrio ambiental no planeta, a floresta amazônica está em chamas e o mundo inteiro assiste à sua destruição gradual. Segundo o SAD, Sistema de Alerta de Desmatamento, a área de desmatamento acumulado apenas nos quatro primeiros meses do ano já é maior que a cidade de São Paulo. Para ensinar a real importância da floresta para crianças e suas famílias criou-se um projeto de arrecadação que visa publicar o livro chamado “Clara e os rios voadores”, que ensina de forma lúdica sobre a conexão da Amazônia com os ecossistemas do mundo.

Apesar das tentativas de recuperação, sabe-se que as consequências para toda a população, principalmente as gerações futuras, serão desastrosas se políticas governamentais não forem instauradas desde já. Enquanto isso, para ajudar os heróis brasileiros que lutam pela fauna e flora do país, é fácil doar pelo Vakinha. É só fazer um cadastro rápido na plataforma e escolher um dos vários projetos abertos por lá. Caso o usuário tenha interesse em criar seu próprio projeto, também é possível, inserindo causa, meta, data de encerramento e uma foto ilustrativa da campanha. O proprietário da vakinha pode compartilhar com sua rede de contatos e aumentar suas arrecadações.