Como se reinventar no mar de incertezas de um mundo em crise

Crises e momentos difíceis acontecem, não com frequência, mas acontecem e são cíclicos. Passa um tempo e você tem uma dificuldade para enfrentar, pode ser uma crise no seu negócio ou dentro do seu ramo de atividade. Às vezes pode ser macro, como a crise financeira e econômica de um país.

Coronavírus e o mundo de cabeça para baixo na maior crise mundial desta geração

O que estamos vivendo hoje é algo sem precedentes, uma crise mundial causada por um vírus, por uma doença. Nesta geração, nunca vimos nada parecido ou tão dramático quanto o coronavírus. O meu ramo de atividade principal, que é a hotelaria, provavelmente está entre os três ramos mais afetados, algo que, como gestor, não está ao meu alcance mudar. Esta é a realidade que estamos vivendo agora.

E como reverter esta crise? Como se reinventar quando seu ramo de trabalho é um dos principais mais afetados em uma crise sem precedentes?

Pessoas devem ser a sua prioridade

Acredito que a primeira coisa a ser feita é manter a calma, por mais difícil que seja. Como gestores e líderes, precisamos transmitir calma às nossas equipes. Calma, tranquilidade e segurança, mesmo em meio ao caos que estamos vivendo. O primordial neste momento é cuidar das pessoas.

Pense um pouco: como retomar suas atividades se as pessoas não estiverem bem física e psicologicamente? Quando digo “cuidar das pessoas” é sobre cuidar dos seus colaboradores, fornecedores e, por fim, cuidar também do seu cliente. As pessoas precisam estar bem para que tudo volte a ser como era. Cuidar das pessoas significa tomar medidas básicas, as dadas pelo Ministério da Saúde e autoridades. Aqui no hotel tivemos que mudar, nos adequar, uma série de procedimentos foram alterados. Claro que dá trabalho, mas a gente precisa cuidar das pessoas.

Falando sobre o mais importante, outra coisa fundamental é realizar uma avaliação sobre o seu negócio. É válido mantê-lo funcionando ou o ideal para este momento é dar uma pausa?

É preciso avaliar os riscos

É necessário avaliar qual é o mínimo necessário para que você se mantenha em funcionamento, assim como avaliar os riscos de continuar funcionando ou passar um tempo fechado. Provavelmente existem negócios em que o mais assertivo seja não funcionar por um tempo indeterminado e se preparar para o retorno. Porque às vezes se manter aberto é mais complicado do que fechar por tempo indeterminado a fim de se reestruturar. Neste caso, não se trata de uma derrota, mas sim de uma adaptação ao momento que você está vivendo. Como dizem: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”. Caso opte por permanecer aberto e as autoridades permitam, é preciso realizar um levantamento, um estudo e diagnóstico a respeito do negócio, um levantamento do mínimo que você precisa para se manter aberto e para continuar entregando o produto que você entrega.

Você precisa entender que se você antes entregava seu produto para 1000 pessoas e hoje entrega para 10, essas 10 tem que receber um bom atendimento, um bom produto. Não é porque você está com problemas que vai atender as pessoas de uma forma pior. A partir do momento que você está disposto a se manter aberto e atender um número menor de pessoas, essas pessoas têm que ser prestigiadas com um bom atendimento, um bom serviço, para que você demonstre que está dando o seu máximo.

Após avaliar o seu custo mínimo para se manter aberto, é necessário ficar atento às sugestões, soluções, decretos que o governo vem liberando. É preciso saber no que você se encaixa. Por isso que é importante que, ao longo da sua vida e trajetória comercial, você tenha bons relacionamentos.

A importância do networking

Se você tem bom relacionamento com seus parceiros, neste momento você pode criar uma rede de apoio, uma rede de ajuda, onde cada um cede um pouquinho para todo mundo ficar aberto e se ajudar. É uma cadeia. Se você nutre um bom relacionamento com seus fornecedores, essa é a hora de trazê-los à mesa para uma conversa, se cada um ceder um pouco, todos saem ganhando e conseguem se reerguer em um momento de crise. Não é a hora de ganhar, é a hora de perder o mínimo possível para se manter vivo, até chegar ao momento em que a crise terá passado. Pode até levar um pouco mais de tempo, mas vai passar.

Busque soluções

Algo importante e que tenho feito muito durante esse período é sentar e buscar soluções para a situação em que nos encontramos. Como já mencionado, eu tenho um hotel. Como buscar uma solução onde o mundo parou, ninguém pode viajar, as companhias aéreas não têm voos e as fronteiras estão sendo fechadas?

As pessoas não podem sair de casa, qual seria a solução para isso? Não tenho a solução, mas, com certeza, enquanto eu estiver buscando uma, terei excelentes ideias para outros problemas que irão aparecer na minha trajetória comercial e empresarial. É importante buscar soluções, dividir, conversar, perguntar o que as pessoas estão fazendo e como elas estão se resguardando. Esse momento é de compartilhamento de informações, de ideias e opiniões.

E quando passar, esteja pronto.

Mas essa crise vai passar, a tempestade dará lugar novamente ao Sol… e quando essa crise passar, espero que você esteja pronto, que você esteja forte e que você esteja ainda mais unido às pessoas que você depende para que seu negócio funcione. Porque não existem negócios sem pessoas.

Essa é a minha mensagem principal: cuide das pessoas!

Cuide dos seus colaboradores, cuide dos seus fornecedores e cuide dos seus clientes. Apenas cuide do mais importante, pessoas.

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Rodrigo Alvite
Rodrigo Alvite tem uma bagagem de 26 anos na hotelaria, tendo desenvolvido o amor pelo atendimento ao cliente. Tem o objetivo de quebrar paradigmas a respeito de vendas e atendimento, provando que, ao fazer o óbvio, consegue-se ter resultados. Alvite faz isso através de muitas histórias e cases de sucesso com um toque de humor, porque a vida pode ser mais leve. O senso de vendas e liderança sempre fez parte da vida do executivo, que foi presidente do grêmio estudantil na época da escola e começou a trabalhar na hotelaria aos 14 anos, tendo inaugurado 3 hotéis; O último que comandou a inauguração, em 2014, foi o H Niterói Hotel, onde é CEO. Atualmente, também é presidente do Polo Hoteleiro de Niterói.