As consequências das mudanças climáticas podem ser mais graves do que os impactos da pandemia de coronavírus no mundo, é o que aponta o novo levantamento do Boston Consulting Group (BCG). Ações ambientais ineficazes provocarão, entre outros pontos, temperaturas extremas e migrações involuntárias devido à desastres relacionados ao clima. O BCG estima que cerca de 200 milhões de pessoas poderão se deslocar de áreas com riscos ambientais até o ano de 2050.

Além disso, 570 cidades ao redor do mundo estão ameaçadas e podem ser afetadas por um aumento de 0,5 metros no nível do mar até 2050; para os próximos 100 anos, estima-se o aumento de até 2 metros. De acordo com o levantamento, o risco de novas pandemias pode ser acelerado pela instabilidade social gerada pelos impactos da crise do clima. Entretanto, ao contrário do surto de coronavírus e outras doenças infecciosas, as ameaças ao meio ambiente são mais previsíveis e graduais, apesar de irreversíveis.

Por um lado, a pandemia contribuiu com redução de aproximadamente 8% de emissões globais de gases poluentes. Entretanto, a porcentagem não foi suficiente para mudar a tendência de crescimento e observa-se que, com a retomada das atividades econômicas em diversas cidades do mundo, o nível das emissões globais já está retornando aos índices pré-pandemia.

Desta forma, o BCG destaca que as mudanças climáticas continuam representando uma grande ameaça e demandam uma resposta eficaz e urgente, apesar do coronavírus ser uma crise que exige uma resposta mais imediata.