Com a expectativa de receber boa parte dos 10 milhões de brasileiros que viajavam para o exterior anualmente antes da pandemia do novo coronavírus, a Costa do Sol começou a se preparar para a retomada das viagens de curta distância depois da quarentena. Os integrantes do Conselho de Desenvolvimento do Turismo (Condetur) da Costa do Sol estão prevendo que os brasileiros vão viajar de carro para destinos a até 600 quilômetros de distância ou de avião para cidades turísticas que fiquem a no máximo três horas de voo. O Condetur promove o intercâmbio das 13 cidades da Costa do Sol fluminense.

Na última videoconferência do conselho, realizada no feriado do Dia do Trabalhador, foram formadas as quatro comissões que vão trabalhar na pandemia para planejar a recepção dos visitantes tradicionais como também aqueles que vão trocar o exterior pelo turismo interno. Os conselheiros foram divididos nos grupos de Políticas Públicas, Marketing e Eventos, Infraestrutura e Capacitação. O conselho é formado por representantes da iniciativa privada e do poder público.

— As pessoas estão doidas para porem o pé na estrada logo após a pandemia. Na nossa região temos três municípios na Categoria A do Ministério do Turismo, que são Búzios, Cabo Frio e Macaé, além de outros nas demais categorias e com um leque enorme de atrativos, que vão além das praias, como o turismo rural, o religioso, o histórico, o esportivo e o de aventura. Temos que nos preparar para uma pegada diferente da que estamos acostumados – alertou o presidente do Condetur, Marco Navega.

Segundo Navega, existem recursos a fundo perdido no Ministério de Turismo para apoiar eventos. Para os municípios da categoria A, a ajuda financeira pode chegar a R$ 800 mil, mas são necessários projetos que comprovem sobretudo a natureza cultural e a tradição do evento. É necessário também o apoio da instância de governança regional, que é no caso da Costa do Sol é o Condetur. O conselho vai coordenar a participação dos municípios no Salão Estadual de Turismo, previsto para acontecer de 11 a 14 de novembro no Rio.

— O turismo internacional vai dar uma freada. Nós precisamos estar preparados para quando cidades próximas de Minas Gerais, São Paulo e até mesmo do Estado do Rio abrirem as porteiras para o turismo. Acredito na capacidade razoável de reação da minha cidade, mas temos que pensar regionalmente, como sugere o Ministério do Turismo – disse o secretário de Turismo de Arraial do Cabo, Olavo Carvalho.

Pesquisa feita na rede hoteleira do Peró, em Cabo Frio, detectou que a precariedade da sinalização turística é a principal reclamação dos turistas que visitam a Costa do Sol. Segundo Márcio Nascimento, do Paradiso Peró, 90% chegam de carro:

— A falta de infraestrutura é a maior reclamação dos turistas, sobretudo os paulistas. Eles alegam que precisam usar o GPS para chegar em hotéis e até mesmo nas cidades – comentou.

A cidade de Quissamã, onde o forte é o turismo histórico, deu exemplo. Segundo Marcos Simas, técnico em turismo, está pronta a sinalização turística, no padrão internacional, que custou cerca de R$ 500 mil com recursos do Ministério do Turismo.

Secretário de Turismo de Maricá, José Alexandre destacou a necessidade de bons projetos para a captação de recursos federais, já que o Estado do Rio está em dificuldades financeiras, agravadas com a pandemia:

— O grande desafio é aumentar o tempo de permanência do turista na nossa região. Não concorremos entre nós, mas sim com outras regiões turísticas do país. E nosso potencial é imenso, mas é necessária a união e uma boa articulação com Brasília. Vamos elaborar um calendário de eventos para que ocorra uma atração a cada fim de semana em cidades diferentes da Costa do Sol.

Marco Navega destacou a importância turística do interior: dos 72 mil quartos de hotéis do Rio, 36 mil estão no interior, todos associados ao Convention Bureaux

Navega prometeu apoio do Condetur a eventos tradicionais, como festivais gastronômicos, encontros de motociclistas e festas religiosas para alacancar o turismo no interior após a pandemia.

— Estamos sugerindo às autoridades de Cabo Fio que aproveitem este momento de cidade vazia para organizar as praias e outros ponto turísticos, preparando-os para a esperada invasão de turistas após a pandemia. Vamos reposicionar nossa marca de forma positiva e pensar nos calendários – sugeriu Maria Inês Oliveiros, presidente do Convention Bureaux de Cabo Frio.

Já Hamilton Vasconcellos, presidente da Comisão de Turismo da OAB, mostrou a importância de se mobilizar os parlamentares da região na campanha de captação de recursos para a Costa do Sol.

— Os parlamentares, inclusive os estaduais, também podem colaborar na articulação com agências reguladoras, concessionárias de serviços públicos e com a segurança pública em defesa do turismo regional.