Crise hídrica
Crise hídrica / foto: pexels

Diversificar a fonte de energia e frear desmatamento na Amazônia são alternativas para solucionar o problema. As áreas protegidas são as que menos sofrem e ajudam a manter a floresta em pé

Mais uma vez, o país está à beira de uma falência do sistema de abastecimento hídrico e, por consequência, elétrico. O aumento na tarifa de energia assusta consumidores. Com menos chuvas chegando aos reservatórios, a dependência das termelétricas cresceu, e elas não são apenas mais poluentes como também mais caras na geração de energia, o que é repassado ao consumidor final. Em julho, a tarifa de consumo de energia elétrica saltou de R﹩ 6,24 para R﹩ 9,49 para cada 100 kwh consumidos e, em setembro, passou para R﹩ 14,20. Ou seja, mais do que dobrou em poucos meses.

Segundo Fabiana Prado, coordenadora do projeto LIRA – Legado integrado da Região Amazônica, uma iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, a crise hídrica e elétrica não é de agora, mas o poder público parece só olhar para a dificuldade quando arrebenta, em vez de fazer um planejamento que traga soluções mais efetivas para o problema. “O mais indicado seria o Brasil diversificar sua matriz renovável e investir mais para criar usinas de energia solar, eólica e de biomassa”, afirma.

A participação das fontes renováveis na matriz elétrica nacional costuma ficar por volta de 80% do total. Segundo dados divulgados pelo Ministério de Minas e Energia no início de 2020, a principal fonte de energia renovável no Brasil é a hidrelétrica, que representa mais de 60%, seguida pela eólica (cerca de 9%), biomassa e biogás (cerca de 9%) e solar centralizada (cerca de 1%). Portanto, o país depende basicamente de água – e chuva – para manter a principal matriz elétrica em funcionamento.

Rios voadores

Com o desmatamento em alta, principalmente na região amazônica, essa matriz fica comprometida. A Amazônia é o bioma brasileiro com a maior área coberta por água, com mais de 10,6 milhões de hectares. O segundo é a Mata Atlântica com mais de 2,1 milhões de hectares, segundo dados do MapBiomas. “Entretanto, os danos sofridos nesses ecossistemas nas últimas décadas, sobretudo na Floresta Amazônica, afetam diretamente a formação e a dinâmica dos chamados rios voadores”, diz Fabiana. Fenômeno essencial para a formação de chuvas nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, são massas de ar úmido disseminado pela Amazônia que são empurradas até Cordilheira dos Andes e voltam rumo ao sul. “O desmatamento e a falta de fiscalização fazem com que o Brasil seque – esse tipo de de ilícito só pode ser combatido pelo poder público”.

Fabiana Prado afirma que a criação das áreas protegidas – as unidades de conservação e as terras indígenas -, é uma estratégia significativa para garantir o futuro da Amazônia – e por consequência, da biodiversidade. “As áreas protegidas ainda conseguem manter níveis bem mais baixos de desmatamento se comparadas com as outras áreas, apesar de sofrerem muita pressão. Apoiar a proteção e gestão das unidades de conservação e terras indígenas, e das comunidades e modos de vida local e negócios associados à floresta em pé é o que ainda pode nos salvar. É isso que faz o Projeto Lira “, conclui.