O desmatamento de florestas, matas e mangues é um dos fatores que ligados às atividades humanas causam diversas perturbações nos ecossistemas, que vão desde efeitos imperceptíveis a curto prazo até a total destruição de ecossistemas inteiros.

Como toda causa leva à um efeito, as perturbações ocorridas nesses ecossistemas, atingem espécies diferentes ou compartimentos ecológicos (por exemplo, animais herbívoros) que refletirão em toda a cadeia trófica, causando danos muito maiores em todo o ecossistema. Além de atingir a fauna e flora, muitos ciclos biogeoquímicos e d’água são quebrados com essa ação.

Com o passar do tempo, esse ecossistema tende a se recuperar, passando por fases até retornar às condições mais próximas às de antes, seguindo o processo de sucessão ecológica. Mas, dependendo da gravidade dessas perturbações, o tempo de recuperação pode ser de anos ou até décadas.

Um exemplo de desmatamento é a utilização do local para pastagem de gado, onde o pasto que cresce no lugar da floresta aos poucos extingue os nutrientes do solo, não conseguindo mais produzir o necessário para aquele tipo de atividade, tornando necessário novos desmatamentos para pastagem. A própria queima, método utilizado para o desmatamento já é algo prejudicial ao solo. Hoje em dia, as principais causas do desmatamento são a agricultura e a extração de madeiras.

O desequilíbrio causado no meio ambiente, além de prejudicar os ecossistemas naturais, refletem ao próprio homem, pois o mesmo depende do meio ambiente para sua sobrevivência, e também há indícios de que muitos animais ou plantas quais estão se extinguindo, poderiam ser umas das soluções de muitas doenças atuais ou que estão por vir.

Como consequências do desmatamento, está havendo um aumento gradativo nas áreas de deserto no planeta, erosões de terras, surtos de doenças (como a malária, dengue, febre amarela), assoreamento de rios, alterações climáticas e outros reveses.

Segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o desmatamento no mês de abril/2020 foi o maior em 10 anos na região da Amazônia, com 529 km² da floresta derrubada, sendo um aumento de 171% em comparação com o mesmo mês do ano de 2019, sendo que um terço (32%) de toda essa área desmatada está concentrada no estado do Pará.

Depois do Pará, o segundo estado que mais registrou desmatamento foi o Mato Grosso, que respondeu por 26% da área desflorestada; em terceiro lugar ficou Rondônia (19%), seguido pelo Amazonas (18%), Roraima (4%) e Acre (1%).

O uso das florestas deve ser feito de forma equilibrada, onde seja possível associar o desenvolvimento e a preservação dos recursos naturais da terra, para o próprio bem da sociedade humana.

Como é feito esse monitoramento?

O SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), do Imazon, é um dos sistemas mais usados para monitorar o desmatamento da Amazônia, onde usa imagens de satélites, juntamente ao Prodes e ao Deter, que são mantidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O objetivo do SAD é ter um registro mensal do desmatamento e da degradação florestal, combinando imagens produzidas por diferentes satélites. Com a combinação das imagens desses satélites, observa-se as mesmas áreas em intervalos de 5 a 8 dias. Nas áreas com tamanho a partir de 1 hectare, o sistema detecta desmatamentos com detalhes de 20 a 30 metros.

O SAD foi desenvolvido pelo Imazon em 2008 para produzir alertas independentes sobre o desmatamento.

O Deter é usado desde 2004 para detectar o desmatamento em “tempo real” em áreas maiores do que 3 hectares (30 mil m²). Fazendo um levantamento mais rápido do problema e gerando alertas. Por ser do Inpe, o Deter é um dado oficial do governo.

Mas esses avisos servem para dar apoio a ações de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e não devem ser entendidos como taxa mensal de desmatamento.

A identificação do desmatamento é feita com base no padrão de alteração da cobertura, como cor, tonalidade, textura, forma e contexto. O sistema permite classificar a alteração como desmatamento, degradação ou exploração madeireira.

Já no caso do projeto Prodes, também do Inpe, o levantamento é feito sistematicamente desde 1988. Ele levanta as taxas anuais de desmatamento. O Prodes é o sistema que apresenta uma visão mais consolidada.