Desmatamento
Desmatamento

Enquanto a imprensa denuncia, cientistas debatem e a população mundial divide-se entre lamentar e ignorar o desmatamento na Amazônia, uma parcela de empreendedores brasileiros arregaça as mangas para colocar em prática soluções para essa degradação.

É possível cumprir o acordo de Paris!

O Acordo de Paris, do qual o Brasil é um dos países signatários, prevê a recuperação de 12 milhões de hectares de áreas degradadas por desmatamentos até 2030. Com os métodos atualmente disponíveis, as maiores empresas do setor florestal mundial chegam a plantar 200 mil hectares por ano. Neste ritmo, demoraria 60 anos para atingir a meta do acordo.

Porém, dois empreendedores brasileiros criaram uma máquina plantadora de florestas – a Real Carbon Capture Machine (RCCM) versão 3.0 – que possibilita o cumprimento da meta dentro do prazo.

“Podemos plantar também os 12 milhões de hectares queimados na Austrália e reflorestar nesta velocidade em qualquer lugar do mundo”, garante Marcello Guimarães, que, com o sócio e irmão Eduardo Guimarães, criou a máquina e o consórcio iPlantForest com o objetivo de colocar tecnologias de última geração a serviço de um plano de negócios que alie reflorestamento acelerado de larga escala e prevenção de novos desmatamentos.

“Ousamos dizer que temos a solução para o reflorestamento em escala global, mais eficiente e veloz do que o plantio de eucalipto que existe atualmente”, enfatiza Marcello.

Mas os Guimarães pensaram em soluções muito além da recuperação ambiental: seu plano de negócios prevê geração de renda (para os moradores locais) e lucro (para os donos da terra) a partir de atividades econômicas que mantenham as florestas replantadas em pé – exploração sustentável de madeira, frutas, sementes, óleos, produtos químicos e medicinais.

Eles entendem que não basta replantar as florestas. É preciso criar alternativas econômicas concorrentes do desmatamento, ou seja, que gerem renda e lucro acima dos alcançados por atividades que demandam derrubada de árvores – exemplo: explorações de açaí, cacau e castanhas já geram lucro muitas vezes maior que o da carne e da soja, cultivados em uma área de tamanho equivalente e pelo mesmo tempo.

Tecnologia para reflorestar

A máquina de plantar florestas inventada pelos Guimarães é capaz de realizar, em ritmo acelerado, cinco operações em uma única passagem de trator: subsola, aduba, escarifica, prepara o sulco para receber a muda e faz o plantio.

Durante o processo, câmeras acopladas filmam cada muda, identificando-a, registrando sua posição de GPS e verificando, em tempo real, se foi plantada corretamente – se não foi, o sistema gera um relatório e um alerta para que o problema seja solucionado. Ainda permite uma distribuição planejada de espécies.

A RCCM é a grande vedete de um sistema maior, que utiliza inteligência artificial, geoprocessamento, acelerômetro, giroscópio, software para controle de implementos, entre outros recursos, para monitorar o crescimento da floresta plantada. Ela tem capacidade para operar a velocidades que variam entre 4 km/h a 8 km/h, o que permite percorrer 160 km em 20 horas.

Com espaçamento de 6 metros entre as linhas de plantio, um dia inteiro de trabalho resulta em 48 a 96 hectares plantados, utilizando 4 equipes de 3 pessoas cada. Ela pode plantar o ano todo, inclusive em época de chuvas, já que possui um sistema autolimpante do “braço de plantio”, que não deixa a lama impedir seu funcionamento ou prender a muda.

Plano

No plano de negócios oferecido pelo iPlantForest a donos de áreas desmatadas, o consórcio se encarrega de elaborar o Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD), que deve ser apresentado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

Este propõe o plantio de 50% de mudas nativas da região, que se destinarão à exploração de frutas, sementes, óleos, produtos químicos e medicinais, e 50% de exóticas, para corte de madeira ao longo dos anos, seguindo o Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS).

O iPlantForest também está apto a fazer a produção de mudas, o preparo da terra, o plantio, o manejo da floresta, a exploração e até o corte. O lucro com a atividade será dividido entre o dono da terra e o consórcio, sendo que uma parte considerável pode ser reinvestida em mais reflorestamento.