3/1/2015 – Lou escrevia tudo que pensava, via, sentia, sonhava. Anotando diário, ela escreveu sua primeira peça teatral. Eu inteiro, metade de mim. Era como Lou se sentia, inteira mas pela metade. E, por gravar tudo para ouvir e decorar, descobriu a Multiterapia

Atribui-se a Oswald Berkhan, médico alemão, a primeira identificação da dislexia em 1881, mas o termo “dislexia” foi cunhado em 1887 por um oftalmologista também alemão, Rudolf Berlin. Apesar do termo ser citado na Alemanha desde aquela época, demorou para ser usado em outros países, especialmente no Brasil, onde, até algumas décadas atrás, ainda se intitulava Cegueira verbal e até hoje há quem defenda apenas a causa hereditária/genética, negando-se a aceitar a evolução das pesquisas não só de Lou de Olivier mas de diversos outros profissionais e pesquisadores de dislexias no mundo todo.
Trajetória das pesquisas:
1896: W. Pringle Morgan descreveu a “Cegueira de Palavra Congenital” publicado em British Medical Journal..
1890 a 1900: James Hinshelwood publicou vários artigos sobre dislexia e publicou, em 1917, livro “a Cegueira de Palavra Congenital”, sugeriu que o maior problema na dislexia era a deficiência na memória visual de palavras e letras.
Lesão cerebral era outra causa muito estudada mas, em 1925, Samuel T. Orton escreveu que a dislexia não dependia de lesão ou dano cerebral. Orton, em parceria com a Psicologa Anna Gillingham, desenvolveu as intervenções educacionais que formaram a base do ensino multisensorial que até hoje são usadas para ensinar crianças disléxicas.
1951 G. Mahec fez experimento em que percebeu que crianças sem dislexia leram da esquerda para a direita mais facilmente e crianças disléxicas leram na mesma velocidade independente do sentido que liam e 10% dos disléxicos leu melhor da direita para a esquerda. Isso deu início à ideia do hemisfério esquerdo ser maior nos portadores de dislexia. Esta ideia seguiria por muitos anos até que Lou de Olivier elucidou este tema (em 2003)
Nos anos 70 entendeu-se a importância da consciência fonológica na dislexia. Em 79, enquanto Lou de Olivier afirmava sua “Dislexia Adquirida” num afogamento, Galaburda e Kemper relataram suas descobertas após observarem cérebros pós-autópsias das pessoas disléxicas,que os centros de línguas nestes eram diferentes dos normais.

Por ter perdido a capacidade de leitura, Lou dependia de amigos que liam para ela livros sobre psiquiatria e correlatas. Foi num livro alemão, (do qual Lou, infelizmente, não recorda o título), lido por um amigo que tinha fluência no idioma, que Lou verificou os sintomas descritos e teve certeza de ter adquirido o referido distúrbio. Os principais sintomas eram ausência de memória, incapacidade de leitura, ausência de concentração.

Passou a relatar sua descoberta a todos os Médicos que a atendiam porém nenhum deles se convenceu pelos seus argumentos. Até porque o distúrbio dela era novo, ela escrevia com certa fluência mas não conseguia ler em Português e perdera a capacidade de falar, ler e escrever em outros idiomas. As pesquisas mais avançadas na época eram com cérebros de disléxicos falecidos, Médicos estudavam a diferença do centro de linguagem nos cérebros disléxicos versus não disléxicos. Como admitiriam a possibilidade de se “adquirir um distúrbio”? Parecia-lhes apenas um grande devaneio de uma adolescente desmemoriada.
Uma busca pelo Google acadêmico dá uma série de artigos com títulos que remetem à Acquired Dyslexia publicados a partir de 1977, porém, lendo-os na íntegra percebe-se que estudos preocuparam-se com inabilidade de leitura deixando em aberto as causas que levaram à Dislexia e até hoje as comprovações oficiais são voltadas à Dislexia Adquirida por AVC e outras doenças cerebrais. Lou desde 1978 defendeu a Dislexia causada por acidentes com privação de oxigênio no cérebro (Afogamentos, enforcamentos, anoxia/hipóxia perinatal/neonatal)
Após três anos de testes e exames em que os Médicos afirmavam não detectar nada físico e recusavam-se a aceitar a teoria que esta defendia, a de ter “adquirido uma dislexia”, restavam a ela só duas opções: Conformar-se em viver desmemoriada para sempre ou busca,de forma independente, solução ao seu caso.
Cursava teatro para auxiliar a recuperação de memória e já conseguia, com dificuldade, ler, mas esquecia tudo assim que lia. Passou a gravar tudo que precisava lembrar, textos, artigos, livros e ouvir as gravações de forma contínua, inclusive, durante o sono. Este método deu origem ao que hoje ela aplica como Multiterapia. Obviamente, hoje, com muito mais bases científicas.
Em 1981 recuperou a fluência de leitura e passou a pesquisar com mais intensidade, já não dependia de ninguém para ler para ela. Seguiu pelo bacharelado em Artes Cênicas e estudou Musicoterapia, englobando os recursos das Artes no método que já apresentava bons resultados com portadores de autismo e Down.
Entre 1981 e 1996, ano em que publicou o primeiro artigo oficial sobre a Dislexia Adquirida, Lou cursou Psicopedagogia, Neuropsicologia, Psicanálise e muitos treinamentos em Psiquiatria.
Em 1989, seguindo a linha de pesquisa de Galaburda e Kemper, surgiram estudos de Cohen e outros desenvolvimento cortical era danificado nos primeiros seis meses do crescimento fetal do cérebro nos disléxicos. Pesquisas oficiais sugeriam a genética/hereditariedade e, os anos 90 trouxeram técnicas de neuroimagem com mais pistas sobre o processamento fonológico nos disléxicos. Ninguém cogitava a possibilidade do distúrbio adquirido em acidente e nem uma anoxia ou hipóxia perinatal.
Mas agora Lou não era mais só uma jovem desmemoriada, já se posicionava como Psicopedagoga e Psicoterapeuta, com especializações, extensões e, acima de tudo, com sua vivência prática. Com força e determinação seguiu publicando, palestrando, divulgando a dislexia adquirida no Brasil e exterior, especialmente Europa (Inglaterra e Portugal), onde escreveu em revistas impressas e eletrônicas, sugeriu a muitos pesquisadores que verificassem a possibilidade de aquisição de um distúrbio e conquistou dois prêmios.
A partir de 1996 foram 9 livros didáticos, inúmeros artigos em revistas e jornais, entrevistas em rádio e TV, além de dois programas próprios Lou e Você (1999) e De tudo um pouco (2008/2009), sempre elucidando a Dislexia Adquirida e distúrbios diversos.
Em 2011/2012 a Dislexia Adquirida foi oficializada nos descritores da Saúde, Português, Espanhol e Inglês (Acquired Dyslexia). Hoje encontra-se a descrição de Dislexia Adquirida em diversos sites, artigos e em descritores oficiais como National Library of Medicine – Medical Subject Headings, inclusive, variações da dislexia adquirida tais como Acquired Global Dyslexia, Acquired Spelling Dyslexia, Acquired Alexia entre outros que virão.
E isso só é possível porque Lou de Olivier não se acomodou com um diagnóstico fatalista, ela estudou, pesquisou, impulsionou outros pesquisadores, encontrou a solução para sua dislexia adquirida e levou suas descobertas a todo o mundo.
Leia este artigo na íntegra e com detalhes de pesquisa:
http://www.dislexiaadquirida.loudeolivier.com)
Livros: http://loudeolivier.tudonavitrine.com.br

Website: http://www.dislexiaadquirida.com/