Estudo do COPPEAD/UFRJ revela definição ideal para esse conceito na ótica de cientistas de diversos países

O termo Economia Circular (EC) se popularizou há alguns anos no mundo corporativo. Mas como ainda não existe uma definição formal e normatizada de sua aplicação, as empresas que se consideram circulares carregam consigo um “selo imaginário” de organizações preocupadas e atuantes em relação ao futuro do planeta, realizando suas iniciativas de acordo com o que acreditam ser EC.

Aliás, essa é uma das preocupações dos gestores responsáveis por enquadrar a empresa no índice ESG. Na tentativa de oficializar uma definição para o termo, pesquisadores do Coppead/UFRJ foram a campo para entender como a EC é definida pelas empresas e meio científico/acadêmico, assim como validar uma denominação final para apresentar ao mercado.

De acordo com Gustavo Nobre, pesquisador e coordenador do estudo, foram ouvidos 44 cientistas com vasta experiência e nível de Ph.D de diversos países e de áreas relacionadas ao tema.

A pesquisa foi indicada como um dos três melhores trabalhos, dentre 70 selecionados pela divisão de Gerenciamento de Operações e Logística do Congresso EnANPAD 2020, o segundo maior evento científico mundial na área de administração.

O levantamento mostrou que a definição ideal para EC se refere a um sistema econômico que tem como meta, zero resíduos e poluição ao longo dos ciclos de vida dos materiais, desde a extração dos recursos até a transformação industrial e junto aos consumidores finais, sendo aplicado a todos os ecossistemas envolvidos.

Ao final de sua vida útil, os materiais retornam para algum processo industrial ou, no caso de resíduos orgânicos tratados, de volta em segurança ao meio ambiente como em um ciclo regenerativo natural.

Nobre destaca que a definição sugerida também afirma que o modelo da EC pode operar criando valor nos níveis sistêmicos macro, meso e micro e explora ao máximo o “nested concept” da sustentabilidade.

Fontes de energia utilizadas devem ser limpas e renováveis e uso e consumo de recursos eficientes. As agências de governo e consumidores responsáveis desempenham papel fundamental assegurando operações corretas e duradouras.

E como assegurar que esses quesitos foram aferidos e estão de acordo com o exigido pelo mercado? Como divulgar os resultados e, acima de tudo, comprová-los aos investidores?

Neste ponto, o pesquisador do Coppead/UFRJ sugere que as empresas elaborem relatórios de sustentabilidade confiáveis e que se enquadrem nas diretrizes do Global Reporting Initiative (GRI), cujo modelo relata os seus impactos positivos e/ou negativos sobre o meio ambiente, sociedade e economia, além dos compromissos assumidos para melhorar a sua atuação.

“Profissionais das empresas podem ser treinados para enquadrar a atuação da organização de acordo com o que é indicado pelo GRI, definindo um documento oficial de divulgação transparente dos dados”, afirma Nobre.

O pesquisador anuncia que o próximo passo será oferecer os resultados da pesquisa para organizações voltadas para padronização de normas, com o intuito de torná-la oficial. “O objetivo é contribuir com o aperfeiçoamento desse conceito no país”, conclui.