Com desafios sociais ainda mais urgentes, entidades do Terceiro Setor e Negócios Sociais se reúnem para debater desafios impostos pela crise da Covid-19. Objetivo é encontrar caminhos para continuar trabalho socioambiental, mesmo a distância. 

A pandemia do novo coronavírus chegou de surpresa e pegou governos, empresas e sociedade civil desprevenidos, instalando uma crise generalizada. Enquanto o setor produtivo sofre estagnação e busca se reinventar, o ecossistema de impacto socioambiental torna-se ainda mais fundamental e, paradoxalmente, vulnerável. A demanda por doações emergenciais, colaboração e solidariedade tomaram conta da agenda pública e privada. Ao mesmo tempo, as organizações precisam lidar com problemas antigos que se acumulam a novas demandas e ainda contornar desafios e dilemas impostos pela nova conjuntura social. Para debater esses impasses de forma coletiva, a Pós-Graduação em Empreendedorismo e Negócios Sociais da FAE e Instituto Legado realizam um webinar na próxima quarta-feira (03), às 19h.

Os efeitos em cadeia, que decorrem da disseminação do novo coronavírus, colocam os problemas sociais à vista, com maior visibilidade pública que antes. Apesar da mobilização expressiva de empresas e cidadãos, os problemas sociais se sobrepõem: problemas perseguidos por iniciativas atuantes antes do início da pandemia, persistem ou aumentam, enquanto as organizações do Terceiro Setor e os Negócios Sociais precisam lidar com uma nova dinâmica social que na maior parte dos casos impede que deem continuidade ao trabalho realizado antes. “A maioria das organizações atuam por meio de atividades presenciais. São encontros com crianças, idosos, comunidades. A pandemia mudou essa lógica, deslocando o eixo para o meio digital que não é acessível a todas as pessoas de baixa renda”, comenta Alexandre Amorim, coordenador da especialização.

Em algumas temáticas o problema se agravou: é o caso ao combate à violência doméstica, que registrou aumento de ocorrências no período de isolamento social, quando muitas pessoas – especialmente mulheres – passaram a conviver mais tempo com seus agressores. Os públicos vulneráveis – que já dependiam de assistência – são os mais atingidos. Eles perderam os benefícios que as organizações proporcionam e estão tendo de priorizar a mera sobrevivência. “Nessas comunidades, as pessoas têm a urgência de se preocupar com a renda mínima para se manter”, completa Amorim. Parte das organizações mudou suas atividades para o foco assistencial, para apoiar as pessoas mais vulneráveis neste momento. Outras buscam adaptar suas atividades para o “novo normal”.

Ajuda para quem ajuda

A gestão das organizações de impacto – que tradicionalmente enfrenta dificuldades em termos de sustentabilidade financeira – também é um ponto sensível para os empreendedores sociais. Se por um lado as pessoas e empresas estão mais dispostas a doar, a urgência coloca os recursos no fornecimento de itens de higiene, alimentação e apoio às equipes de saúde. Instituições filantrópicas ou negócios sociais que atuam em outras áreas, como inclusão, educação e equidade de gênero, sofrem com a queda de arrecadação. O Brasil tem cerca de 800 mil ONGs (IPEA, 2018) e mais de mil negócios sociais (PIPE SOCIAL, 2019).  Aquelas que dependiam de realização de eventos beneficentes são as mais atingidas.

O webinar está disponível a todos os interessados. “Esse cenário exige que o setor se posicione”, argumenta Amorim. “Vamos fazer isso envolvendo o terceiro setor, os investidores sociais e o empresariado, tendo uma visão ampla de todos os atores”. Além do coordenador, participa do evento o presidente do Instituto Legado de Empreendedorismo Social, James Marins; a gerente comercial da APAE Curitiba, Andrea Calabria e o Mestre em Sustentabilidade da FGV e Consultor do Instituto Votorantim, Orlando Nastri. Para participar, basta acessar o link e se inscrever.