Existe uma Dieta Sustentável comum?

Dieta Sustentável
Dieta Sustentável

Em 2007 a Global Footprint Network criou o “Earth Overshoot Day”, com a finalidade de desenvolver um índice que mede os recursos utilizados pela humanidade sem gerar ônus para o planeta, ou seja, o amonte que é utilizado e que a Terra consegue repor. No entanto, esta data é atingida cada vez mais cedo, tendo sido alcançada com três dias de antecedência de 2018 a 2019, de acordo com os dados da organização.

Junto com a avaliação da utilização de recursos hídricos e ecológicos, as emissões de gás carbônico estão entre os principais impactos ambientais avaliados na grande maioria dos estudos científicos. Entre os países constituintes da União Europeia, foi observado que os principais contribuintes para as emissões carbônicas foram o setor alimentício, seguido de setores como o elétrico, de aquecimento doméstico e de transportes. Para se ter noção, hoje em dia o consumo de alimentos representa em torno de 30% de todas as emissões de gás carbônico geradas pelas famílias ocidentais, o que é um percentual maior do que o gerado pelos setores elétrico e de transportes.

É estimado que a produção agrícola já utilize metade das terras onde a agricultura é possível de ser desenvolvida, seja para a produção de alimentos ou para o cultivo de pasto para a pecuária, e esta produção é encontrada principalmente entre os biomas de florestas tropicais e de savanas. Os itens alimentares com maior crescimento de consumo no mundo são os açúcares e os óleos refinados e os produtos de origem animal. Mantendo este padrão alimentar, é estimado que em 2050 a produção destes itens seja responsável por 80% do uso das terras.

Considerando que no cenário atual apenas 73% da população mundial tem acesso a comida de modo satisfatório, e que a previsão é de aumentarmos em 32% o número de habitantes na Terra até 2050, existe algum modo seguro para que todos se alimentem sem onerar ainda mais o planeta? Recentemente, a Organização Mundial da Saúde passou a estimular a adoção de uma dieta sustentável, sendo definida como “protetora e com respeito à biodiversidade e ecossistemas, culturalmente aceita, acessível, economicamente justa, nutricionalmente adequada, segura e saudável, ao passo que otimiza os recursos naturais e humanos”. Dentro deste conceito, diferentes estudos avaliam algumas dietas, entre as quais a Mediterrânea, a japonesa, além das comparações entre os padrões onívoro, ovo-lacto-vegetariano, vegetariano e outras variações. No entanto, aparentemente, as escolhas alimentares individuais dentro de uma dieta saudável apresentam grande influência no impacto ambiental total associado à alimentação, e não necessariamente a adoção de um padrão alimentar como um todo.

Considerando a produção como ponto de partida, um alimento produzido numa região vai causar um impacto diferente que quando produzido em outra localidade em que o solo não é adequado ou em que não haja a mesma disponibilidade de água, por exemplo. Além disso, o quanto e como o alimento viaja para chegar até o seu prato também pode causar algum impacto. Porém, produzir um alimento em solo inadequado apenas para evitar que ele viaje não vai necessariamente causar menor impacto ambiental do que o alimento que vem de outro local, mas que foi no adequado para a produção em questão.

Assim, como quando se foca no quanto um plano alimentar pode ser melhor nutritivo e mais saudável para o nosso organismo, e reconhece-se que não existe um único modelo de dieta capaz de encontrar este padrão desejado, também o mesmo raciocínio vale para uma dieta sustentável – o de que não há um único modelo ambientalmente eficiente a ser adotado para se alcançar as medidas menos impactantes. Portanto, podemos sim escolher com maior consciência ambiental quais os itens alimentares a ocuparem espaço no nosso prato, no entanto devemos também avaliar a quantidade a ser ingerida, a frequência de consumo, a sua produção, a sua origem, a mão de obra envolvida em toda sua cadeia, e também o seu comércio.