Vivaldo José Breternitz

Como outras Big Techs, o Google acaba de anunciar medidas que vem tomando na área de combate à poluição, principalmente o fato de já ter eliminado seu legado de carbono, ou seja, que a poluição que gerou desde sua fundação em 1998 foi compensada por medidas como reflorestamento e captura de gás metano proveniente de aterros sanitários, por exemplo.

Isso não significa que a empresa parou de poluir o ar, o que diz pretender fazer a partir de 2030, principalmente por meio do uso de energia eólica e solar em suas instalações e data centers, onde a eletricidade é utilizada não apenas para fazer as máquinas funcionarem, mas também para refrigerá-las; computadores geram muito calor e tem problemas para funcionar em ambientes aquecidos.

O consumo de eletricidade nessas instalações é enorme: cerca de 1% da energia elétrica produzida no mundo é consumida por eles e apenas o Google consome mais energia que o estado americano do Delaware.

O Google promete também desenvolver e comercializar software destinado a otimizar o consumo de energia e consequentemente diminuir a geração de poluentes – é evidente que pretende lucrar com isso, embora alguns aplicativos já disponíveis possam ser utilizados gratuitamente, como o Environmental Insights Explorer, que calcula a emissão de CO2 em algumas cidades, inclusive do Brasil.

De qualquer forma, resta-nos esperar que tudo isso não seja apenas greenwashing .

Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.