Fechada aos turistas desde o início da pandemia do novo coronavírus, a Ilha Grande, em Angra dos Reis, será reaberta aos visitantes na sexta-feira, mas com uma série de restrições. Os hotéis, pousadas e embarcações vão funcionar com apenas 50 por cento da capacidade e o acesso à ilha, que tem 122 praias, só será possível através do embarque no Cais Santa Luzia, no Centro de Angra dos Reis, ou no transporte oficial feito pelas lanchas da CCR, em Mangaratiba.

Os turistas que embarcarem em Conceição de Jacareí, ponto mais próximo da Ilha Grande, correm o risco de não conseguir chegar ao destino. As embarcações que fazem transporte irregular serão fiscalizadas na Baía da Ilha Grande pela Guarda Marítima e Ambiental de Angra dos Reis, que contará com apoio da Capitania dos Portos. Jacareí fica em Mangaratiba, cidade vizinha a Angra dos Reis.

— Os turistas terão que passar por um rigoroso controle sanitário e informar se têm reserva em meios de hospedagem legalizados. Os que optarem por furar o controle, usando transporte pirata, correm o risco de terem que voltar no meio do caminho. O meio seguro de chegar à Ilha Grande é através do Cais de Santa Luzia. As medidas de controle serão mantidas e aperfeiçoadas mesmo depois da pandemia porque a Ilha Grande é Patrimônio Mundial da Humanidade e, por isso, sujeita a severas normas para garantir sua preservação – explicou o presidente do Instituto Municipal do Ambiente, Mário Reis.

Funcionários da Prefeitura de Angra vão medir a temperatura de todos os turistas que embarcarem no Cais de Santa Luzia ou que desembarcarem na Vila do Abraão procedentes das barcas da CCR. Vão cuidar também do isolamento social no cais e nos pontos de maior concentração de visitantes. Os fiscais também vão atuar nos meios de hospedagem e nas escunas que fazem passeios marítimos. Angra registrou cerca de quatro mil infectados com o vírus, com 120 óbitos.

Há cinco meses, só funcionam mercados e farmácias na Ilha Grande, que ficou deserta. Foto de Jota Barros.

Segundo Mário Reis, o controle que começa sexta-feira é o início do Plano de Ordenamento da Ilha Grande, que será permanente. Tudo será feito de forma gradual. Após a fase experimental de 60 dias, os turistas vão precisar apresentar um vouche de um meio de hospedagem legalizado para entrar na Ilha Grande. O prazo, segundo Reis, é para permitir que hotéis e pousadas se legalizem junto à prefeitura,  ao Cadastur e a outros órgãos. Uma empresa especializada está desenvolvendo um software para aperfeiçoar o controle entre a iniciativa privada e o setor público responsável pela fiscalização.

— O sistema já está em funcionamento, mas nestes 60 dias vamos corrigir eventuais defeitos e aperfeiçoar o controle. É uma antiga reivindicação do trade turístico e uma necessidade para a proteção ambiental da Ilha Grande – acrescentou Mário Reis.

Presidente do Angra dos Reis e Ilha Grande Convention Bureau, Marc Olichon disse que os hotéis do continente e da Ilha Grande já se prepararam, obedecendo a todos os protocolos sanitários, para receber os turistas. Angra dos Reis tem quase oito mil leitos de hospedagem distribuídos em mais de 300 pousadas, hotéis e outros meios de hospedagem

— Estamos ansiosos por este reencontro com aqueles que adoram a cidade – disse Olichon, acrescentando que o Convention fará uma campanha de divulgação nas redes sociais para exaltar as muitas belezas de um dos destinos turísticos mais importantes do Estado do Rio.

Jorge Barros, o Jota Barros, proprietário de uma agência de passeios marítimos na Ilha Grande, explicou que 90 por cento dos moradores vivem direta ou indiretamente do turismo. Muitos voltaram para suas cidades de origem, em sua maioria na Bahia, durante a pandemia por falta de trabalho. Barros está há 18 anos na ilha.

— Temos muita procura pelos passeios, mesmo durante a pandemia. Mas as escunas só vão sair com metade da ocupação e vamos medir a temperatura de todos os passageiros. Temos que, aos poucos, nos adaptando à nova realidade – disse Jorge, conhecido como Jota Barros.