meio ambiente
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Não é de hoje que os impactos ambientes causados pela produção de joias é tema de estudo e debate aqui no Brasil.

O ponto positivo é que o interesse de fazer com que a indústria funcione de forma cada vez mais limpa e ecológica não é de interesse apenas dos ambientalistas.

Os próprios empresários do setor se preocupam em fazer com que os resíduos sejam descartados da melhor forma e quando possível, vendidos ou reaproveitados, o que fomenta, inclusive, outros mercados.

Pesquisas sobre reaproveitamento de resíduos

Em 2018, três alunos de 16 anos, Elizandra Larissa da Silva, Kaique Ferreira e Vitória Ventura, de uma escola pública de Limeira – SP (Maior polo industrial de semijoias do Brasil, responsável por mais de 70% da produção nacional de folheados), desenvolveram um projeto para reaproveitar cobre de resíduo tóxico da indústria de joias, demonstrando uma forma de extração e reaproveitamento de “lodo galvânico”, que é um resíduo do processo de banho dos acessórios. O objetivo é que as próprias empresas de galvanoplastia possam utilizar novamente o cobre extraído do lodo galvânico

Esse projeto mostra como a preocupação não vem apenas do alto escalão de empresas ambientais e Ongs, mas também de cidadãos comuns da própria região.

Atualmente, as empresas que trabalham com banho de joias para marcas de folheados no atacado, contratam outra empresa, que se encarrega para que o resíduo seja descartado da forma correta, em um aterro industrial. 

Embora seja uma solução bem aceita para o descarte dos resíduos, com certeza a ideia dos jovens pode ser revolucionária e melhorar ainda mais a forma como esse material é devolvido para a natureza.

Mercado de folheados em Limeira

O mercado de folheados emprega mais de 30.000 pessoas (o que corresponde a cerca de 10% da população) em mais de 500 empresas desse segmento, em Limeira-SP.

A produção é de mais de 50 toneladas de brincos, pulseiras, colares, anéis e todo tipo de joias e semijoias por mês e por isso é tão importante saber exatamente como os resíduos serão tratados, já que os próprios funcionários das empresas residem na cidade e precisam ter certeza sobre a qualidade da água que estão consumindo e do ar que estão respirando.

Em 2015, por exemplo, um Termo de Ajuste de Conduta, proposto pelo Ministério Público (MP), determinou que a Prefeitura de Limeira tomasse providências para tratar resíduos de metais pesados, como chumbo, estanho, fósforo e nitrogênio, que eram despejados no Ribeirão Tatu por empresas clandestinas de folheados.

A Prefeitura concordou com o TAC e firmou, na época, contrato de mais de 10 milhões com a Odebretch, a fim de melhorar o tratamento de esgoto na cidade e salientou que o problema só existia por conta de empresas que trabalhavam na ilegalidade, despejando o os resíduos sem o devido tratamento no esgoto da cidade.

Empresas responsáveis e legalizadas de galvanoplastia possuem dentro de suas instalações Estações de Tratamento de Efluentes e Reciclagem de Água, onde a água utilizada no processo é tratada, evitando o descarte de poluentes e metais pesados como cianetos, ácidos, cloretos e sulfatos, no meio ambiente. 

Claro que criar uma estrutura como essa não é algo barato e é justamente por isso que algumas empresas preferem trabalhar na clandestinidade, assumindo o risco de multas e claro, de uma exposição que pode comprometer severamente suas marcas.

O fato é que a decisão do TAC mostra, mais uma vez, como a preocupação ambiental está incorporada na região, tanto nas escolas como no executivo e no judiciário, fazendo com que o assunto não passe despercebido e que os empregos possam ser mantidos, as indústrias continuem operando e o meio-ambiente seja protegido.