O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) classificou como “criminosos” os moradores de Carapebus que abriram a Lagoa do Paulista na madrugada do dia 14 de dezembro. A ação de forma clandestina, segundo o ICMBio, acabou por “potencializar” a abertura da Lagoa de Carapebus, aumentando significativamente os impactos não somente nas lagoas, que ficam no Parque de Jurubatiba, como também espalhou toneladas de gigogas no mar, que depois atingiram as praias de Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios.  O ICMBio garante que não houve lançamento de carga tóxica no mar.

INEA faz operação para fechar lagoas

Nesta sexta-feira, o INEA fará uma grande operação para fechar a barra da Lagoa do Paulista, que abriu naturalmente no início da semana. Serão usados 100 ecobags (sacolas ecológicas) com areia para fechar a barra. A partir desta sexta-feira, as operações em Carapebus serão coordenadas pela superintendência do INEA em Macaé com apoio das prefeituras. No domingo, os guarda-parques, inclusive de unidades de conservação distantes da Região dos Lagos, serão mobilizados para ajudar na limpeza das praias que estão no Parque da Costa do Sol e na APA do Pau Brasil.

— Até sábado vamos garantir o fechamento da barragem na  Lagoa do Paulista e depois seguimos com os guardas para as cidades do Parque da Costa do Sol. A Petrobras doou ecobags e as prefeituras cederam máquinas para a operação de fechamento da barra – disse o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do INEA (DIBAB), Marcelo Morel.

Em nota, o ICMBio informa que autorizou, a pedido da Prefeitura, a abertura da Lagoa de Carapebus, “seguindo critérios técnicos e levando em consideração a situação de emergência dos moradores”, que estavam com as casas inundadas. No entanto, a Lagoa do Paulista foi aberta na mesma ocasião por moradores, sem autorização. Logo a seguir as duas barras foram fechadas. “Contudo, com a mudança na dinâmica costeira às vésperas do Natal houve nova abertura da barra da Lagoa do Paulista”.

A nota do ICMBio não se refere à apuração de responsabilidades pelo desastre ambiental. O caso será investigado pelo Ministério Público Federal (MPF), que está em recesso até o dia 6 de janeiro. Ambientalistas da Região dos Lagos defendem que apuração também se estenda ao processo de abertura da Lagoa de Carapebus, que contou com a participação de moradores, da prefeitura local e do ICMBio. Agentes do INEA identificaram o vereador que estimulou os moradores a abrir as lagoas de forma clandestina.

A maioria das praias da Região dos Lagos continua com a areia coberta com gigogas. Com poucos recursos humanos e materiais, as prefeituras estão fazendo operações de limpeza dia e noite. A Praia do Peró, certificada com a Bandeira Azul, é uma das mais prejudicadas devido à extensão da sua orla: 7,2 kms. O governo do estado não atendeu ao pedido de reforço com homens e equipamentos para ajudar na limpeza.