Usados por guarda-parques para fiscalizar as áreas protegidas no interior fluminense, quatro quadriciclos do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), estão desde 13 de março emprestados para a Polícia Militar abordar banhistas e esportistas nas praias da Zona Sul do Rio. Dois deles são da Ilha Grande, que está aberta ao turismo desde 14 de agosto. Os demais são dos parques estaduais de Teresópolis e de Campos dos Goytacazes.

Os quatro veículos, indispensáveis para a fiscalização ambiental, foram emprestados pelo órgão estadual, com autorização do secretário de Estado do Ambiente, Altineu Côrtes, com o argumento de que a medida era necessária para enfrentar a batalha do coronavírus. Na ocasião, no início da pandemia, as praias de fato estavam interditadas aos banhistas e esportistas.

O INEA e a PM fizeram uma operação para tirar os dois quadriciclos da Ilha Grande num barco pesqueiro. O Parque Estadual da Costa do Sol, unidade de conservação estadual que vai de Saquarema a Búzios, protegendo dezenas de praias, não possui quadriciclo e seus poucos veículos estão em péssimo estado de conservação.  Os quatro quadriciclos do INEA estão a serviço do 19º BPM (Copacabana) e do 23º BPM (Leblon). O estado possui 39 unidades de conservação sob gestão do INEA.

O ambientalista Rogério Zouein, Coordenador do Grupo Ação Ecológica – GAE,entende que os quadriciclos deveriam retornar à fiscalização dos parques estaduais com urgência:

PM acompanha embarque dos
dois quadriciclos da Ilha Grande.

— As praias da cidade do Rio estão sempre lotadas, sem qualquer ação da  fiscalização, e a visitação dos parques foi reaberta em agosto, o que aumenta a necessidade do uso dos  quadriciclos, especialmente no Parque da Ilha Grande, onde os veículos são o único meio de transporte para os agentes ambientais – apelou Zouein, que também é especialista em Direito ambiental.  

A preocupação do INEA com as praias não se reflete, contudo, nas análises de balneabilidade, que mede a qualidade das águas. Nos boletins do órgão estadual, são divulgados somente os índices das praias da capital, onde a última análise, segundo o boletim divulgado pelo próprio INEA, foi feita em junho e divulgada em julho. Em Angra dos Reis e Paraty, as últimas análises são de fevereiro de 2020; em Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo, de março.

Os ambientalistas também não entenderam o motivo que levou a Costa do Sol (Região dos Lagos), uma das áreas mais visadas pela especulação imobiliária, ficar de fora da fase inicial do programa Floresta do Amanhã, que a Secretaria de Estado do Ambiente está lançando para plantar 2,5 milhões de mudas de espécies endêmicas de Mata Atlântica para reflorestar 1,1 mil hecatares.

Foram contemplados os municípios de Cachoeiras de Macacu, Rio Bonito, Magé, Niterói, Guapimirim, Itaboraí, Maricá, Niterói, São Gonçalo, Tanguá, cidades da Baixada Fluminense e a capital. A secretaria do Ambiente informou que esta é a apenas a fase inicial do projeto e que outros municípios serão atendidos posteriormente.

A secretaria de Estado de Ambiente informou que os quatro quadriciclos permanecerão à disposição da PM o tempo que a corporação achar necessário para efetuar o patrulhamento das praias, enquanto durar a pandemia do Covid 19. Com relação aos boletins de balneabilidade das praias, o INEA informou que monitora 201 praias em todo o estado e que os resultados são divulgados no portal do órgão e no aplicativo Partiu Praia.