16/6/2020 –

Com efeito colateral da pandemia de coronavírus estoques diminuíram em hemocentros e hospitais de todo o país. Um gesto simples, rápido, seguro e indolor pode salvar até 4 vidas

Neste mês, centenas de entidades empenham-se em promover o Junho Vermelho, campanha que foi instituída há 3 anos no Brasil com o intuito de promover a doação de sangue e, desde 2017, tornou-se uma Lei Estadual em São Paulo e passou a ser realizado em todo o país. No próximo domingo, dia 14, celebra-se o Dia Mundial do Doador de Sangue, data estabelecida em 2014 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o Dia Nacional do Doador de Sangue é comemorado em 25 de novembro.

Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 3.3 milhões de brasileiros são doadores de sangue, o que representa apenas 1,6 % da população. O índice segue o parâmetro recomendado pela OMS de que menos de 1% dos habitantes pratiquem o ato. No entanto, para que se mantenha um estoque seguro, o ideal, de acordo com a Organização, é de 3% a 5%. Em tempos de pandemia pelo novo coronavírus, a campanha mostra-se ainda mais urgente. Hemocentros e bancos de sangue de todo o país estão trabalhando no limite, pois em virtude da quarentena e medo do contágio por covid-19, a quantidade de bolsas coletadas está bem abaixo do mínimo necessário.

Estima-se que desde o mês de março, quando as recomendações de distanciamento social passaram a ser impostas, a queda no número de doadores foi de 60%, “por isso, é importante reforçar o apelo para que os estoques aos poucos possam ser normalizados”, explica Dr.ª Indianara Brandão, médica hematologista. “Esse pedido, às vezes, acaba se perdendo e temos que retomá-lo a todo o momento para introduzir esse hábito nas pessoas, de que a doação precisa ser contínua. Cada componente sanguíneo tem uma validade, e os pacientes, em casos de acidentes ou doenças crônicas, seguem precisando das doações”, pondera a especialista.

Reforçando os parâmetros de segurança visando assegurar e estimular voluntários em tempos de coronavírus, os hemocentros estabeleceram novas regras e passaram a agendar os atendimentos reduzindo assim o número de pessoas na espera, aumentando o distanciamento dos lugares e cumprindo todas as normas de higiene local. Segundo a médica a questão é um fator cultural. “A maior parte dos doadores são impulsionados por conta de um caso próximo ou um familiar, quando este necessita de uma transfusão, mas as pessoas não criam esse hábito”, finaliza a Dr.ª.

A doação requer o cumprimento de alguns requisitos, mas é um processo rápido e que leva, em média, 40 minutos. Antes de realizar a coleta, o voluntário passa por uma triagem onde são coletados dados como peso, altura, pressão arterial, frequência cardíaca e temperatura. Em seguida é feito um teste de anemia e um questionário sobre as condições clínicas do doador que incluem hábitos de vida e uso de medicamentos.

“Os componentes do sangue são divididos em quatro partes: hemácias, plaquetas, plasma e crio. Cada um para uma finalidade específica. O mais requisitado são as hemácias, que é a parte vermelha, e pode permanecer armazenada por 35 dias, já as plaquetas, utilizadas em pacientes oncológicos, duram apenas 5 dias”, finaliza Dr.ª Indianara Brandão. Embora a demanda tenha diminuído em decorrência do adiamento de cirurgias eletivas e realização de transplantes, hematologistas têm se mantido em alerta pelo aumento no número de casos de coronavírus, já que pacientes graves de covid-19, especialmente os que necessitam de respirador, necessitam de transfusão de sangue.

Para ser um doador é necessário:
Segunda a atualização à nota técnica nº 5/2020 do Ministério da Saúde, que atualizou o protocolo de triagem dos candidatos fica estabelecido:

– Candidatos que apresentaram infecção pelo covid-19 são considerados inaptos por um período de 30 dias após a recuperação clínica completa, no caso de assintomáticos;

– Candidatos que tiveram contato direto com casos suspeitos ou confirmados de coronavírus devem aguardar 14 dias após o último dia de contato para realizar a doação de sangue;

– Profissionais de saúde que tiveram contato direto com pacientes também devem aguardar 14 dias após o último dia de contato para realizar a doação;

– Para os demais doadores permanecem os requisitos já adotados: estar em boa condição de saúde e alimentado; ter entre 16 e 69 anos (menores somente com autorização dos pais); pesar mais de 50 kg e portar documento de identidade original com foto que permita a identificação;

– Recomenda-se evitar alimentos gordurosos nas 4 horas que antecedem a doação e 12 horas no caso de ingestão de bebidas alcoólicas;

– Por fim, outros impedimentos poderão ser identificados durante a triagem no dia da doação.

Website: http://draindianarabrandao.com.br/