Bitcoin valorizou quase 30% nos seis primeiros meses do ano. Valorização de Ethereum e Tezos chegaram a ultrapassar os 75%

O primeiro semestre de 2020 se mostrou positivo para as criptomoedas. Longe dos picos que se apresentaram nos anos de 2017 e 2018, o mercado dá sinais de assentamento, apesar da alta volatilidade. Principal moeda, com quase 90% do mercado no País, o Bitcoin apresentou uma valorização de 29,41% entre janeiro e junho deste ano, conforme mostra levantamento realizado pela Bitfy, carteira multiuso e sem custódia de bitcoins. Outras criptomoedas tiveram uma valorização ainda mais positiva como é o caso da Ethereum, com alta de 83,15%; Bitcoin SV, com 97% e a Tezos com 79,07% de valorização.

Segundo Lucas Schoch, CEO da startup, a valorização das criptomoedas tem relação com a crise da Covid-19.  “A pandemia foi boa para o bitcoin, pois fez com que as pessoas procurassem por outros tipos de ativos além dos tradicionais. As pessoas estão vendo esse mercado mais no longo prazo e enxergam o bitcoin, por exemplo, tanto quanto o ouro”, explica.

João Canhada, CEO da corretora Foxbit, especializada em compra e vendas de criptomoedas concorda com essa  mudança de comportamento no País. “O brasileiro está mais consciente agora e entendeu a criptomoeda como um ativo que faz sentido no portfólio – e não para especulação”, diz. 

Para Thiago Lucena, CEO da UZZO, fintech que oferece soluções de pagamentos com a utilização de criptomoedas,  ainda há espaço para crescimento  “O Bitcoin mostrou força no primeiro semestre de 2020 e valorizou mais de 27%, números esperados quando falamos do crescimento da criptomoeda na economia global. O cenário econômico adverso, por conta da pandemia, só contribuiu para que o Bitcoin ganhasse força”, avalia Lucena. Ele lembra ainda que o  ativo é finito. “Neste primeiro semestre de 2020 ocorreu o 3° Halving do Bitcoin, processo que aumenta a dificuldade dos mineradores em gerarem novos bitcoins o que, por sua vez, fortaleceu o ativo. Para o segundo semestre a nossa expectativa é de início de lateralização dos preços com alta mais moderada, pois ainda há muito espaço para valorização”, comenta.

Para os especialistas, a volatilidade das criptomoedas está associada à concentração com poucos investidores. “Somente quando o Bitcoin fizer parte de portfólios de grandes investidores institucionais seu volume vai ser grande o suficiente para que quem tem muito bitcoin não consiga interferir no preço da moeda, o que é a principal causa da volatilidade hoje”, explica Schoch. Segundo eles, a grande expectativa do mercado é de que isso a aconteça quando as moedas assumirem o papel real das moedas fiduciárias, sendo usadas para transações cotidianas.