A pesquisadora da Embrapa Cocais Guilhermina Cayres é a convidada da live do chef de cozinha Rafael Bruno para uma conversa sobre Gastronomia, pesquisa e diversidade de alimentos no Maranhão. Atualmente há projeto de pesquisa na Unidade da Embrapa no Maranhão que envolve gastronomia e comunidades tradicionais para produção de alimentos e receitas com produtos do babaçu. 

Para Guilhermina Cayres, essa forma de abordagem metodológica pode ser adaptada pra outros temas relacionados à produção de alimentos. “Os alimentos são elementos potenciais para criar sistemas alimentares que valorizam a identidade sociocultural de povos e comunidades tradicionais do Maranhão, gerando trabalho e renda, inserindo o Maranhão como referência da bioeconomia e no uso sustentável de produtos da biodiversidade do Estado”.

A iniciativa nasceu a partir da interação das quebradeiras e chefs de cozinha renomados em visita à comunidade quilombola de Pedrinhas, ocasião que permitiu a elaboração conjunta de fórmulas culinárias, que inclusive fizeram grande sucesso no Festival Mercado das Tulhas, evento gastronômico realizado em São Luís-MA pela Associação Maranhense de Artesãos Culinários – AMAC.

Sobre a pesquisa – Vem sendo realizada por meio da atividade “Novos processos alimentícios com babaçu”, vinculada ao Projeto Bem Diverso, e no projeto “Novos alimentos com amêndoa de babaçu” com recursos descentralizados da Embrapa, em parceria com a Embrapa Agroindústria Tropical, a Universidde Federal do Maranhão – UFMA e o Instituto Federal do Maranhão – IFMA. O objetivo é desenvolver produtos diferenciados, que ocupem novos nichos de mercado a partir agregação de valor à identidade territorial das quebradeiras de coco babaçu. “Para isso, estamos promovendo a interação entre conhecimentos técnicos e tradicionais, aumentando o valor agregado da produção artesanal com a inclusão das quebradeiras de coco no desenvolvimento desses processos e produtos. Entende-se o crescente interesse por alimentos artesanais abre oportunidades de mercado ao babaçu como matéria-prima, inclusive para a alta gastronomia. O que se quer é  desenvolver produtos considerando as condições específicas das quebradeiras de coco e suas práticas tradicionais, sem imprimir muitas modificações à forma como elas vêm praticando o processo, mas estabelecendo melhorias, padronizações – incluindo as de qualidade e segurança alimentar – tendo em vista também aceitação sensorial do produto, agregação de valor às amêndoas quebradas e diversificação de produção”, detalha a pesquisadora.

Os estudos abarcam diferentes exigências do mercado de alimentos: nutrição, saúde, qualidade e segurança alimentar, serviço ambiental, valorização dos produtos da culinária regional e da cultura regional, gastronomia e turismo, entre outros, além de permitir a inclusão social das quebradeiras de coco. 

Flávia Bessa (MTb 4469/DF)
Embrapa Cocais