Presidente brasileiro acusa mídia e Venezuela por problemas ambientais

O presidente Jair Bolsonaro manteve o tom agressivo adotado na política doméstica e contra-atacou adversários do governo federal na agenda ambiental e na política regional sul-americana. Após defender as medidas adotadas por sua gestão no combate à pandemia de covid-19, o presidente acusou “países protecionistas e a mídia” de conduzirem campanhas de desinformação em relação aos incêndios do Pantanal e da Amazônia.

“A linha de argumentação foi a de que esses atores atacam o Brasil porque o país é produtivo no agronegócio. O mesmo discurso tem sido reforçado pelo vice-presidente Hamilton Mourão e pelo Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles”, afirma Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM SP.

A retaliação veio com a afirmação de que, além de aderir às agendas da ONU na temática ambiental, o Brasil é vítima de conspirações e ataques da Venezuela. “A surpresa do discurso foi a acusação, sem apresentar evidências, de que a Venezuela foi a responsável pelo vazamento de óleo ocorrido na costa do Nordeste em 2019”, afirma Denilde.

Outro ponto importante no discurso do presidente brasileiro foi o apoio explícito à política externa dos Estados Unidos no Oriente Médio, que tem agido para normalizar as relações diplomáticas de Israel com países do Golfo Pérsico, como Emirados Árabes Unidos e Bahrein. “Poucas vezes o Brasil foi tão enfático em seu apoio aos Estados Unidos desde a criação da ONU, em 1945”, diz a professora.