Os responsáveis pela abertura das barras das Lagoas de Carapebus e do Paulista, ambas no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, no Norte Fluminense, vão responder a uma investigação criminal e poderão ainda ser condenados a ressarcir os municípios da Região dos Lagos que foram prejudicados com o desastre ambiental. As toneladas de gigogas que saíram as lagoas, abertas indevidamente, uma delas em autorização do ICMBio, se acumularam nas praias de Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios.

“A Polícia Federal foi acionada para apurar a repercussão criminal. Haverá uma apuração criminal e também uma investigação civil para avaliar os danos ambientais e propor medidas de recuperação e indenização”  informou o procurador da República Fábio Sanche.

As barras (ligação com o mar) das duas lagoas foram abertas no dia 14, após as chuvas que castigaram a cidade de Carapebus nos dias 12 e 13. Um grupo de moradores abriu a Lagoa de Carapebus num local tecnicamente não indicado, alegando que suas casas estavam inundadas. Pressionada pela comunidade, a Prefeitura de Carapebus pediu autorização à direção do parque, sob gestão do ICMBio, para concluir a abertura da lagoa. O diretor do parque, Marcelo Braga Pessanha, deu a autorização.

Lagoa do Paulista na manhã desta segunda-feira (23)

Na mesma ocasião, outro grupo de moradores abriu a barra da Lagoa do Paulista, que foi fechada nesta segunda-feira por determinação do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), que fez uma operação nas lagoas e montou um posto de vigilância para evitar nova abertura da lagoa. A Polícia Federal informou, através da Superintendência do Rio, que não comenta investigações. Não foram vistos agentes federais no local.

Depois do desastre, o diretor do parque mandou ofício à Polícia Federal de Macaé com notícia crime, solicitando apuração do crime ambiental. Ele ressalta que o ato simultâneo de abertura das barras causou dano ambiental grave às duas lagoas, ambas em área de preservação permanente. “Da forma como foi realizada, a abertura tem o potencial de causar um dano ambiental de enormes proporções às Lagoas de Carapebus e do Paulista, afetando todas as áreas de restinga associadas e conseqüentemente impactando de forma incomensurável o parque e todo o sistema de abastecimento de água”, alertou.

MPF investiga autores de crime ambiental

A Praia do Peró, em Cabo Frio, foi uma das mais afetadas pelo desastre ambiental. Segundo Homero Silva, responsável pela limpeza da praia, já foram retiradas cerca de 300 toneladas de gigogas somente no trecho mais movimentado do Peró:

— A limpeza é feita à noite e na madrugada, mas logo depois chega muita vegetação à areia. Estamos usando todos os nossos recursos, mas a quantidade de gigogas que chega é muito grande. Estamos avançando, esperando que a vegetação pare de chegar até o dia 26, quando a cidade começa a ser invadida pelos turistas – disse Homero Silva, que comanda a equipe da Comsercaf no Peró.

Em Carapebus, o diretor de Biodiversidade e Áreas Progegidas do INEA, Marcelo Morel, acompanhou o fechamento da Lagoa do Paulista e justificou a necessidade de policiamento no local:

— O grupo de moradores afirmou que vai reabrir as barras. Por isso o local está sob vigilância militar – justificou.