demissão
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Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao trimestre terminado em agosto, apontam que o país soma 13,8 milhões de brasileiros desempregados e 5,9 milhões de desalentados (pessoas que não trabalham e desistiram de procurar emprego). Considerado um recorde na série histórica, este segundo número demonstra os impactos psicológicos provocados pelas demissões, situação agravada especialmente pelo cenário de pandemia. Com isso, o chamado processo de “desligamento humanizado” de funcionários ganhou ainda mais importância, principalmente em casos de demissão.

“Desligamento humanizado é ir além da garantia que os direitos do colaborador estarão de acordo com aspectos legais no momento de sua saída da empresa. Significa a empresa ter empatia ao estar disponível para proativamente solicitar feedback através de entrevista no ato do desligamento; quando necessário dar suporte psicológico posterior a este profissional; e, especialmente, estimular o autoconhecimento para que o ex-funcionário possa se planejar e organizar o seu processo de recolocação profissional. Humanizar a demissão significa, portanto, dar um tratamento de forma individualizada para que esse ser humano se sinta cuidado, respeitado e preparado para enfrentar os novos desafios profissionais”, explica Felipe Cavalcanti, gerente de Gestão de Pessoas da Allonda, empresa de engenharia com foco em soluções sustentáveis, que aplica essa metodologia desde 2016 tanto em casos de demissão como também com quem resolve buscar novos caminhos.

“Não conhecia esse processo de desligamento humanizado e fui surpreendida. Me ajudou bastante a pensar nos meus propósitos, me organizar, focar nos meus objetivos, me autoconhecer, sempre pensando no meu melhor. Como se fosse um passo a passo. É um processo muito bem estruturado”, relata a ex-estagiária da Allonda, Yalle Almeida, que trabalhava na área de controle de custos da empresa, até ser desligada no início de abril. “Te ajuda também depois sobre como se comportar no mercado de trabalho, a estruturar o seu currículo e buscar novos conhecimentos”, complementa.

Cavalcanti conta que, além do enorme impacto social que essa política de desligamento provoca, as práticas adotadas durante o processo também colaboram para o desenvolvimento da empresa em diversos aspectos.

“Uma das etapas do processo é uma entrevista com o profissional que está saindo da empresa, em que utilizamos o feedback para basear os planos de ação, como por exemplo formação de liderança, reforço de comunicação das trilhas de carreira ou melhoria de benefícios”, diz o gerente, ao alertar que a entrevista jamais deve ser imposta. “Aplicada corretamente, essa é uma importante ferramenta de auxílio para diminuição de turnover, portanto, aumento de retenção de pessoas, entre outros ganhos”, conclui.