Uma floresta urbana, com ilhas de frescor. Mudas de aroeiras, araçás e pitangueiras foram plantadas nesta quarta-feira no pomar urbano de Charitas, em frente a garagem subterrânea, num espaço que tinha sido degradado pelo trator de uma concessionária. O plantio, que foi solicitado por moradores e ambientalistas, faz parte do plano de plantar cinco mil mudas de espécies nativas de Mata Atlântica de restinga ao longo da orla de Charitas e de São Francisco, na Zona Sul de Niterói.

Numa primeira etapa, foram plantadas 2.500 mudas, incluindo o trecho próximo ao Clube Naval. Ontem começou o plantio de mais 600 espécies nativas no pomar urbano de Charitas, muito procurado por moradores e visitantes para ver o pôr do sol na Baía de Guanabara, e em outros pontos da orla do bairro. O trabalho, que vai durar 15 dias, começou com a supressão de plantas exóticas, como leucenas e capim colonião.

— Estamos recuperando a memória da restinga. Vamos preservar as espécies antigas e as ipomeas, que são plantas fixadoras que impedem a chegada da areia da praia no asfalto – explicou a secretária municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser), Dayse Monassa.

Os funcionários da Seconser fizeram as covas com equipamento especial de perfuração, adubaram o terreno de areia e colocam um gel especial para garantir a umidade do solo até a adaptação da planta ao solo do pomar:

— No pomar de Charitas foram plantadas mudas de araçá, de aroeira e de pitanga. Nesta quinta-feira chegam as mudas de pitanga. Todas servem de alimentos para os pássaros e, pelas suas características, vão se adaptar bem ao solo de restinga – disse o biólogo Alexandre Moraes, da Seconser.

Em encontro com o prefeito Axel Grael, integrantes da União dos Síndicos de Charitas pediram mais atenção à orla do bairro, que incluía a recuperação do corredor verde. Eles também pediram obras de drenagem, para evitar inundações na Avenida Silvio Picanço, e o projeto Orla, que está em fase de escolha do projeto arquitetônico. A secretaria municipal de Meio Ambiente também está colaborando.

— Já existem mudas consolidadas ao longo da orla. As novas espécies vão encorpar as ilhas de frescor que a prefeitura está criando em Charitas e São Francisco. As espécies foram cuidadosamente escolhidas para contribuir com a paisagem, de forma que as pessoas possam ao mesmo tempo contemplar o verde e o mar, além de criar sombra no futuro, gerando uma sensação de frescor – concluiu Alexandre de Moraes.

Paulo Roberto Araújo fez sua carreira profissional no jornal O Globo. Prêmio CREA de Meio Ambiente, foi repórter e depois editor assistente (chefe de reportagem) da Editoria Rio durante 25 anos, com atuação voltada principalmente para o meio ambiente e o interior do Rio.