O Mercado Municipal tem arquitetura eclética, com forte influência de art decó.
O Mercado Municipal tem arquitetura eclética, com forte influência de art decó.

Construído entre 1927 e 1930, o Mercado Municipal de Niterói está com sua estrutura, de arquitetura eclética com detalhes de art decó, pronta para receber suas primeiras lojas num grande polo de gastronomia, moda e cultura. Fechado há 30 anos, o prédio, que fica na saída da Ponte Rio-Niterói, foi completamente reformado pela Prefeitura de Niterói para ser o marco da retomada econômica da cidade após a pandemia do novo coronavírus. O projeto também envolveu a revitalização do entorno do imóvel, projetado para ser um dos grandes destinos turísticos do Grande Rio, como acontece nos mercados de São Paulo e de grandes cidades do mundo, como Lisboa e Barcelona.

As atividades comerciais do Mercado Municipal foram prejudicadas com o fim da estrada de ferro que ligava a antiga capital fluminense ao interior do estado. A estação principal, de passageiros e de cargas, ficava no Porto de Niterói, em frente ao mercado. Desativado em 1976, o local passou a ser usado como depósito público do governo do estado até 1990. A partir daí, o abandono também levou à degradação as áreas vizinhas, que agora estão sendo revitalizadas para serem usadas como estacionamento e para empreendimentos ligados às atividades do mercado.

— A restauração do prédio foi uma alavanca para a recuperação de toda uma área que estava ociosa, que formava praticamente um vazio urbano. Aqui teremos uma nova oportunidade para que a cidade recupere e avance na sua economia, abalada pela pandemia. Surgirão oportunidades para novos negócios, com oportunidade de encontros dos niteroienses e visitantes. Estarão aqui produtores de Niterói e do interior, aumentando a empregabilidade num novo destino turístico e econômico do nosso estado – disse o prefeito eleito de Niterói, o engenheiro Axel Grael.

Em 2011, o governo do estado passou o prédio para a Prefeitura para que fosse executado ali um grande projeto para transformação do mercado num centro de gastronomia e moda. O secretário municipal de Urbanismo, Renato Barandier, coordenou a equipe técnica que fez a restauração, preservando a arquitetura original do conjunto:

— O projeto arquitetônico do prédio é centenário, mas foi feito com uma visão muito à frente daquele tempo. A estrutura é elegante, com ventilação e iluminação natural. Trata-se de uma solução de arquitetura que merece ser devolvida ao cotidiano da Região Metropolitana do Rio – acrescentou Grael.

A recuperação do prédio foi entregue no dia 22 de novembro, quando Niterói comemorou 447 anos de fundação. Por causa da pandemia, a cerimônia foi simples. O prefeito Rodrigo Neves, em quarentena por causa da covid, foi representado pela mulher, Fernanda Sixel Neves.

— A reabertura do Mercado Municipal trará uma nova realidade para uma área que sofreu um impacto negativo na época da implantação dos anéis da Ponte Rio Niterói. Hoje estamos revitalizando uma importante área da cidade, trazendo movimento, gerando empregos e renda, e melhorando a segurança do entorno – disse a Secretária Municipal de Conservação e Serviços Públicos, Dayse Monassa, acrescentando que nas próximas semanas os expositores já estarão ocupando seus espaços no local.

Anita Batista de Souza, que nasceu em 1927, quando começou a construção do prédio, lembra bem, aos 93 anos, da época em que frequentava o Mercado Municipal. Moradora de Icaraí, Anita, que durante 52 anos trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil como assistente do diretor Nascimento Brito,  comemorou a recuperação do imóvel:

— Eu era aluna da escola Conselheiro Josino. Durante três anos consecutivos, eu ia ao mercado pelo menos duas vezes por semana comprar frutas frescas. Lá também tinha uma área para exposição e venda de artesanato. Depois pegava um bonde até o Centro e outro para a Ponta D’Areia, onde morava e cuidava do palacete do Conde Pereira Carneiro, na área do Estaleiro Mauá.

Um dos atrativos do mercado será a exposição permanente de réplicas das lanchas da antiga Companhia Cantareira que faziam a ligação Rio-Niterói. As barcas giravam no alto da Pastelaria Imbuhy, na Rua José Clemente. Após o fechamento do comércio, as réplicas desapareceram. Foram localizadas, anos depois, numa casa em Piratininga pelo engenheiro Manoel Francisco de Oliveira, filho de um mestre arrais da Cantareira. Ele comprou as réplicas e as levou para Angra dos Reis, onde foram restauradas por um artista niteroiense.

— O prefeito Rodrigo Neves conheceu as réplicas numa visita ao condomínio do Frade, onde sou o síndico, e ficou encantado. Prometeu levá-las e reservar um local de destaque no Mercado Municipal. Vou doar com prazer porque sou niteroiense, filho de um funcionário da Cantareira e gostaria de ver estas lanchas, que fazem parte da história de Niterói, preservadas para a eternidade – comentou o engenheiro, que fundou a Companhia de Turismo de Angra dos Reis (TurisAngra).