O legado da pandemia para as empresas

pandemia para as empresas
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Em meio a um incêndio, é normal que as pessoas só consigam enxergar fumaça. Com a pandemia, não tem sido diferente. Profundamente abaladas, muitas empresas só tem conseguido se lamentar pelos planos interrompidos e as vendas não realizadas. Mas, como consultor, meu papel é sempre transformar adversidades em lições aprendidas e, principalmente, em oportunidades. Sendo assim, não poderia deixar de listar alguns impactos positivos que a pandemia já está trazendo aos empresários brasileiros. Confira:

– Otimização de processos: Quando as coisas saem dos eixos, é inevitável que as empresas analisem mais de perto os seus processos. Como a crença é a de que em time que está ganhando não se mexe, os gestores tendem a simplesmente não dar a atenção necessária aos processos quando tudo vai bem. Mas, ao menor sinal de perigo, é para eles que os gestores olham. É na crise que as empresas buscam por processos mais enxutos e focados na eficiência operacional. O desafio é manter isso depois, em tempos de bonança.

– Otimização de recursos: Aqui está a incrível arte de fazer mais com menos. Com menos dinheiro e, muitas vezes, menos mão de obra, as empresas precisam utilizar seus recursos de forma mais inteligente. Isso não quer dizer simplesmente colocar um funcionário para fazer o trabalho de três sem nenhuma mudança de processo. Otimizar recursos significa eliminar possíveis desperdícios e extrair o potencial máximo de algo que possa estar subutilizado, como uma máquina ou mesmo pessoas em atribuições aquém de suas potencialidades. Aqui também vale destacar a importância da automatização, que tende a possibilitar uma melhor utilização dos recursos humanos. Não é a toa que o avanço da Indústria 4.0 deve ser um dos maiores legados dessa crise.

– Saúde e segurança ocupacional: A pandemia também evidenciou muito fortemente a necessidade de boas práticas em saúde e segurança ocupacional. Com o alto risco de contágio, muitas empresas precisaram fazer mudanças de layout, buscando o distanciamento social. Como o Covid-19 se tornou uma doença ocupacional, o risco de passivos trabalhistas é enorme. Portanto, as empresas que não se adequarem podem correr sérios riscos de ações no futuro. Como não se vê uma solução para o problema no curto ou médio prazo, a área de saúde do trabalho deve se tornar uma preocupação constante, deixando uma herança bastante positiva em especial para as empresas que teimavam em negligenciar a saúde de seus colaboradores.

– Inovação: Essa tem sido uma das lições mais preciosas. Empresas dos mais diversos tamanhos e setores já entenderam que as crises são darwinistas e que os que sobrevivem não são os maiores ou mais fortes, mas sim os que melhor se adaptam. As que já estão mais familiarizadas com os conceitos de inovação sabem da importância de desenvolver resiliência e cultura adaptativa. Não por acaso, são essas as que tem criado mais oportunidades na crise. Transformação digital se tornou uma meta para todos e deve conquistar cada vez mais adeptos no presente e no futuro.

– Gestão de crise: Aquela velha crença de que tudo acontece na casa do vizinho, mas jamais na minha, também caiu por terra. A pandemia é democrática e tem atingido a todos, em maior ou menor grau. Sendo assim, os mais precavidos estão se saindo melhor. Empresas que se preparam para intempéries, buscando sempre alternativas para minimizar impactos, tendem a tomar as decisões mais acertadas em momentos de crise. Ter um bom gerenciamento de crises é o mesmo que ter um bom plano de seguro. Nada impede que você seja atingido ou tenha seu bem danificado, mas quando isso acontece, você está muito mais amparado.

E você, o que tem aprendido com essa pandemia? Independentemente de quais sejam as suas lições – por mais duras e amargas – é que elas não sejam em vão. Aqueles que não aprendem com o sofrimento nada mais fazem do que perder tempo. As crises servem para impulsionar os fortes e eliminar os fracos. De que lado você quer estar?

Alexandre Pierro é sócio-fundador da PALAS e um dos únicos brasileiros a participar ativamente da formatação da ISO 56.002, de gestão da inovação.