16/6/2020 –

É fundamental criar este futuro a favor da sociedade e garantir que o retorno seja melhor para todos.

Algumas pessoas acreditam que a solidariedade, praticada agora por muitos, permanecerá e ajudará as pessoas a voltar melhores do que antes e outros acreditam que as pessoas ficarão mais egoístas e que existirá mais desigualdade e violência.

Não é hora para o pessimismo. Não acreditar que o mundo irá superar tudo é o primeiro passo para cruzar os braços e não lutar. Negar que não haverá um amanhã, neste momento, chega a ser um sentimento egoísta. As pessoas positivas, que acreditam, terão mais trabalho e lutarão sozinhas. E no final, se der certo, será bom para todos. Mesmo para aqueles que só contribuíram com a esperança.

Essa matéria é focada no mundo corporativo, especificamente no mercado de live marketing. A partir disso, é necessário falar no local de fala, das dores legítimas de quem tem passado por toda esta crise, assim como tantas agências, com seus escritórios fechados, porém trabalhando como nunca, renegociando eventos cancelados ou adiados, fazendo contas para sobreviver e tentando reinventar o negócio para continuar existindo nos tempos pós-covid-19.

É fundamental criar este futuro a favor da sociedade e garantir que o retorno seja melhor para todos. Mas para que isto aconteça mais rápido, é fundamental participar ativamente do processo de transformação. Indispensável ter consciência do poder de influência e agir a partir da baia no escritório, da família, do grupo de amigos, ou seja, das pessoas que cercam.

Só ações afirmativas transformam. Por isso também é importante ter consciência de como é a cara do Brasil de verdade que é necessário incluir na economia. E, a partir do mundo corporativo, abrir espaço para as diferenças, criando ambientes seguros para que elas possam se manifestar, influenciar a estratégia do negócio e proteger a todos com suas diferentes percepções da realidade.

Impossível sair desta melhores, mais humanos e justos mantendo a fácil e passiva condição de simpáticos à causa. Para garantir a transformação dos ambientes de trabalho em locais mais igualitários, mais justos e com menos assédio, é necessária a transformação em agentes de mudança e a coragem de manifestar sempre que alguma coisa estiver no caminho contrário aos princípios de valor.

Esta é a oportunidade de virar a chave, de parar de funcionar a partir do paradigma da escassez e passar a enxergar o mundo a partir do paradigma da abundância.

É fundamental acreditar que tem para todo mundo, pois é o caminho mais rápido para reconstruir um mercado mais justo, produtivo e forte.

A sociedade é composta por mais mulheres que homens, mais negros que brancos, quase um quarto tem alguma deficiência física. Mas definitivamente não parece um problema que essa imensa maioria não esteja representada no mundo corporativo.

Quase a metade dos brasileiros ativos está excluída do mercado formal de trabalho. O convívio é diário com quase 50 milhões de brasileiros (46 milhões já cadastrados) praticamente invisíveis aos olhos. E, se não enxergar, não há importância. Se não há importância, não existem esforços para incluir. A educação é levada a pensar o mundo pela escassez.

Se existir organização para incluir 50 milhões de pessoas na economia, terão mais consumidores para reerguer o mercado e mais cidadãos contribuindo socialmente. Isso é abundância.

As grandes metrópoles sofrem diariamente com o trânsito, que chega a tirar das pessoas de 2 a 4 horas produtivas por dia. Alargar avenidas, criar novos viadutos, implantar rodízio de veículos e nada resolve o problema dos engarrafamentos. Isso é pensamento baseada na escassez. A crise que o mundo está passando já mostrou que boa parte dos trabalhadores, principalmente aqueles que lotam as avenidas com seus carros particulares, consegue trabalhar com eficiência em casa, ou de alguma outra forma remota.

Então por que trabalhar todos nos mesmos dias da semana, ou entrar e sair nas mesmas horas do dia? Isso é escassez.

São 5 dias por semana e 24 horas por dia para otimizar os recursos de infraestrutura urbana de transporte. Isso é pensar com abundância. A questão não é dobrar o investimento escasso em mais estradas e viadutos – nem há mais espaço físico para isso. A partir das necessidades das pessoas, é preciso reorganizar o uso do espaço coletivo das ruas e avenidas da cidade.

Sob pressão, a sociedade é educada a achar que não terá para todo mundo, então, diante de crises regionais como a greve dos caminhoneiros, ou globais como a covid-19, as pessoas correm para comprar mais do que precisam, estocando sem necessidade mercadorias tão necessárias a outras pessoas. Ao tirar os produtos de circulação, os preços elevam e excluem ainda mais as pessoas, principalmente as mais carentes e necessitadas. E assim, seguem sem pensar, girando a roda da escassez, sem perceber que os próximos a serem excluídos.

No mundo corporativo, no mercado de live marketing, por exemplo, é comum ver grandes empresas globais obrigarem suas agências a faturarem seus serviços em 90 ou 120 dias. Ou seja, o elo mais frágil do negócio, para ter direito ao trabalho, precisa ter alto capital e financiar toda a operação da grande empresa. Como é possível um negócio ser bom para ambos os lados, quando um dos lados tem que pagar antes e só receber 3 ou 4 meses depois? Isso é escassez.

“Portanto, a questão aqui é: como sair desta crise? A resposta é: melhores. Então, a partir de todo o aprendizado, do que gostam ou não de ver, é preciso reorganizar as atitudes, para construir o mundo melhor. E o caminho para isso passa pelas necessidades das pessoas. É preciso colocar o ser humano no centro, no foco da criação das soluções, certamente existirão mais chances. Por isso é tão importante desenvolver primeiro uma cultura de diversidade e inclusão no mundo corporativo” explicam os colaboradores de um.a