Rio de Janeiro
Rio de Janeiro / foto: pexels

ERNANI SARTORI   

Empíricos alarmistas nacionais e internacionais do clima do CO2 se reuniram na Fiocruz em outubro de 2015 e, como não podia deixar de ser, soltaram mais “pérolas” absurdas da sua “ciência”: “O nível do mar vai se elevar 14 cm em 2020 e 82 cm em 2080 no Rio de Janeiro”. Essa “ciência” sempre faz “previsões” para distantes futuros porque não acertam pra agora e para que não permaneça qualquer importância de suas afirmações. Desta vez morderam a isca e resolveram “prever” para bem perto, para mostrarem sua presença e impactarem a cidade e o país e porque se sentem à vontade para dizerem o que mal entendem sem precisarem provar nada, pois detêm o poder político e midiático mundial automaticamente ao mesmo tempo em que impedem que outros mostrem as aberrações científicas e, inclusive, manipulações de dados e informações (ex., Climategate, NASAGATE etc). Estas são a “democracia” e a “liberdade de expressão” do Ocidente. A mídia defende a liberdade de expressão ardorosamente, mas somente em favor dela mesma, enquanto faz mais censura do que a censura da ditadura para outros.

A turma de alarmistas nunca mostra os cálculos do que afirma e não se acredita que ela os tenha. O nível do mar pode aumentar de acordo com a temperatura (T) e conforme o derretimento das geleiras. Cálculos trazem clareza para essa questão tão complexa. Vamos supor que precisemos aquecer 1000 litros de água doce de 20 ºC a 80 ºC, sendo o volume inicial dessa água a 20 ºC igual a 1001,8 litros (já considerando a expansão referente a essa T) e o volume final para 80 ºC que é de 1029 litros, ou seja, a água se expande 27,2 litros. Se o reservatório for de um metro quadrado, ele precisará de 27,2 mm a mais na altura para prever tal expansão térmica. Se o reservatório for de 2 m2 essa expansão necessitará um espaço de 13,6 mm a mais e, se o reservatório for de 10 m2, o espaço adicional necessário será de 2,72 mm em cada m2 e assim por diante.    

Por esse resultado da ordem de milímetros já podemos ter uma ideia do quão absurdo é um aumento ou expansão térmica de 14 cm para o mar que funciona com T ambientes. Neste exemplo, a diferença de T é de 60 ºC e há uma alta T final, as quais são incompatíveis com T ambientes e pouco variáveis dos oceanos, além de que os mares contêm partículas sólidas que tornam seus coeficientes de expansão menores do que o da água pura. Assim, as T, profundidades, condições da água e volumes alteram os resultados e é isso o que vamos ver a seguir.   

O volume total dos oceanos mais o dos mares Mediterrâneo, Báltico e Sul da China é de 1.335.000.000 km3, sua área é de 361.900.000 km2, a profundidade média é de 3,69 km, a T superficial média é de 10,5 ºC e a salinidade típica é de 3,5% ou 35.000 ppm. O Mar Morto tem uma salinidade de 330.000 ppm e é essa solidez que não deixa o corpo afundar. A maior parte da radiação solar é absorvida nos primeiros centímetros da superfície e isso significa que o maior aquecimento do mar ocorre ali e também que a maior expansão se dá nessas camadas. E há muitos fatores como a evaporação, vento, T do ar, salinidade, correntes, ondas, marés, limpeza, geografia, estação do ano, latitude, longitude, ano etc, que interferem nesse aquecimento.

É sabido que o mar do RJ é normalmente frio, até mesmo no verão com altas T do ar, sendo que as correntes verticais do mar podem ter grande influência nisso. As T do mar do Rio no verão giram em torno de 22–26 ºC e tem praias de lá cujas T do mar são de 14–16 ºC, as mesmas do litoral argentino. O IPCC diz que a T do ar aumentou 0,8 ºC e a dos oceanos 0,5 ºC no século XX e, assim, mesmo com questionamentos, vou considerar tal aquecimento do mar para o Rio também. Então, vou considerar que a T média do mar do Rio aumente de 20,0 ºC a 20,5 ºC de 2015 a 2020. Mas, vejam bem, estou exagerando, pois o aumento de 0,5 ºC foi para 100 anos (supostamente) e o estou considerando para apenas 5 anos. A T do ar varia muito mais do que a T da água porque a inércia térmica do ar é apenas 24% daquela da água (com mesma massa). E como não estamos considerando o globo inteiro, vamos levar em conta a área do oceano mais próxima do Rio. A área do Atlântico Sul é de 40.270.000 km2, a qual corresponde à área que vai da linha do equador até a metade da distância entre o extremo sul da América do Sul e a Antártica. Como esta parte do sul do continente fica longe do Rio e tem T diferentes, vou dividir esta área por 2 para simplificar e obter maior aproximação levando o limite de baixo para o extremo sul do Rio Grande do Sul. Esta é uma boa aproximação, mas se quiséssemos maior rigor nas T essa metade poderia ser dividida em mais partes para chegarmos às condições e área que correspondem ao Estado do Rio. Porém, as áreas por si só não mudam os resultados. E vou considerar inicialmente 5 cm como a camada superficial para expansão térmica.

Portanto, para um volume da água do mar de 20.135.000.000.000 m2 x 0,05 m = 1.006.750.000.000 m3, obtém-se o volume inicial correspondente a 20 ºC como sendo 1.008.562.150.000 m3. E para 20,5 ºC temos o volume final 1.008.768.533.750 m3. Fazendo a diferença obtemos 206.383.750 m3. Dividindo pela área obtemos 0,00001025 m ou 0,01025 mmcomo a elevação, ou seja, o aumento do nível do mar para o Rio de Janeiro para 2020 nessas condições seria de apenas um centésimo de milímetro!

Se considerarmos um metro de profundidade como a camada com potencial de expansão térmica, este resultado se modifica para 0,000205 m = 0,205 mm, ou seja, dois décimos de milímetro!

A T abaixo da superfície decresce bastante, o que faz a expansão da água do mar diminuir muito, mas uma boa aproximação é considerar que a T seja constante até 100 m, onde começa a decrescer drasticamente. Assim, para 100 m como camada de expansão, o resultado acima se torna 0.0205 m = 20,5 mm. Considerando 20,1 ºC como T média final para 2020, este resultado dá 2,1 mm. Quando a T se reduz, a expansão se reduz muito. Esses valores de expansão não são de forma alguma percebidos e é difícil até para instrumentos bem como não causam nenhum desastre. As ondas, marés ou ressacas, por outro lado, que têm outras causas como ventos, influências da lua e gravidades, podem gerar pequenas destruições na beira-mar, mas não devido à expansão térmica do mar.  

A outra possibilidade para o aumento do nível do mar é o derretimento das geleiras. Mas, em todo o verão essas geleiras derretem, pois se não fosse conforme as T regionais, já teríamos geleiras até no nordeste brasileiro. E, se derretem todo ano, como é que o Rio e a Argentina ainda não foram inundados pelo mar? E, nos invernos antárticos, o gelo de lá aumenta muito, da ordem de milhões de km2. Ou será que o eixo da Terra deixará de ser inclinado e por isso não haverá mais estações do ano por causa do CO2 e, por isso, no pólo sul não haverá mais 6 meses de escuridão e inverno rigoroso por ano por causa do CO2? E de acordo com Thomas et al, (2015), o gelo das costas da Antártica aumentou 30% (!) no século XX. Outro trabalho revelou que o gelo que rodeia a Antártica atingiu um novo recorde de extensão em 2015 além do que ele tem alcançado desde que registros por satélites começaram a ser feitos desde o fim da década de 1970. Segundo esse trabalho, em 2015 a extensão de gelo da Antártica excedeu 20 milhões de km2, sendo que a média máxima entre 1981 e 2010 alcançou 18,72 milhões de km2.

O volume total do gelo da Antártica é estimado em 26.500.000 km3 e o do Ártico é de 13.530.000 km3 (janeiro 2016) cuja soma dá 40.030.000 km3. Este volume confere com a conhecida informação de que o gelo do planeta corresponde a apenas 2 % da água da Terra. Dividindo pela área total dos mares e oceanos acima referida obtemos o número 0,1106 km, ou seja, se todo o gelo da Antártica e do Ártico derretessem numa vez só, o fim do mundo, os oceanos e mares acima referidos aumentariam 73 m de nível. Mas, isso aí considerando que todo o gelo da Antártica esteja sobre o mar, mas há muitas partes (parecem ser a maioria) que estão sob o mar, então esta elevação seria muito menor devido ao princípio de Arquimedes. Não sendo o fim do mundo, certamente não ocorrerá um degelo súbito e total nem majoritário, inda mais diante dos números de aumento de gelo na Antártica.  

Um trabalho de Araújo et al (2013) revelou que a média de variação do nível do mar em Leixões (Portugal) entre 1906 e 2008 é de – 0.70 ± 0.27 mm/ano, cujo resultado não concorda com o nível global de +1–2 mm/ano do IPCC. Medindo o nível do mar desde 1890, a estação de Leixões é uma das poucas no mundo com mais de 100 anos de medições horárias e contínuas.   

Essa turma do CO2 também diz que o oceano armazena energia, mas não diz nada sobre suas perdas de calor. E ela normalmente se refere a esse armazenamento só para tentar justificar o “aquecimento global causado pelo CO2”. Mas, se o oceano só armazenasse e não perdesse calor, ele já teria explodido desde a origem do planeta.

Diante dos respectivos cálculos deste artigo, em 2080 a elevação do mar no RJ não será de 82 cm por causa de expansão térmica. Para não ficar só na suposição, vou usar os mesmos procedimentos acima e descobrir quantos graus seriam necessários para que o mar do Rio se expandisse 82 cm. Então, fazendo os referidos cálculos descobre-se que para acontecer tal aumento do nível do mar do Rio com 100 m de camada de expansão, a respectiva T final do mar do Rio deveria ser de… imaginem… 50 ºC (cinquenta) e como média!! Nem é preciso dizer quão absurda e descabida é essa T para o mar.

Além das demonstrações matemáticas feitas neste artigo, este resultado também mostra como a gente pode pegar essa turma mais uma vez e em outra de suas levianas afirmações que são isoladas e não têm coordenação. Essa turma diz que a T do ar vai se elevar 2 ºC até 2100. Então, como poderia o mar se aquecer mais do que o ar e 30 ºC a mais na média, já que a inércia térmica da água do mar é 76% maior do que a do ar (com mesma massa) e isso significa que o mar se aquece muito menos do que o ar? E no artigo demonstro que a influência do CO2 na T do ar é de muito menos de um por cento.

Agora em dezembro de 2020 o nível do mar do RJ continua o mesmo (não confundir com ressacas). “Ciência” leviana sem rigor que obriga a humanidade a aceitar esse estado de coisas!