Provavelmente, você já ouviu algum familiar ou conhecido, ou até mesmo você, comentar sobre como os bens eram mais duradouros, quando comparados com os de novas tecnologias, como celulares, geladeiras, televisões e outros.

Tudo mudou, quando o nível de consumo de bens materiais foi totalmente direcionado para a lucratividade das empresas e não na durabilidade dos bens adquiridos. O início desse movimento se deu na década de 1920, onde um produto qual não imaginaríamos seria o propulsor de tudo, a lâmpada.

Os fabricantes da época determinaram que as lâmpadas teriam uma validade de 1.000 horas. Essa foi uma decisão de limitar a vida útil dos produtos, embora a tecnologia da época já pudesse produzir lâmpadas mais duráveis. Assim, as empresas conseguiriam garantir que sempre houvesse consumidores para seus produtos.

Com a crise de 1929 o consumo caiu, e a obsolescência programada tomou forma e se consolidou como uma estratégia das indústrias para retomar o crescimento.

Essa tática das indústrias foi nomeada como obsolescência. Essa pode ser dividida em 3 tipos: programada, perceptiva ou técnica. Todas podem ser notadas no dia a dia das pessoas.

Quando mencionada a obsolescência programada, essa faz menção a interrupção ou programação da vida útil de um produto feita intencionalmente pelo fabricante, fazendo com que o produto após um determinado período de tempo, deixe de funcionar corretamente, inutilizando o aparelho; levando o consumidor a compra de um novo produto, como exemplos, podemos citar os celulares e produtos de linha branca.

Já a obsolescência perceptiva, se dá pela nova aparência, imagem dos produtos. Apresentado como sendo algo inovador e mais bonito, podendo ter algumas mudanças funcionais também, dando aos antigos produtos, aspectos de ultrapassados e fora de moda. O design inovador e a utilização da propaganda, levam ao consumo desnecessário, excessivo. Pode-se dar como exemplo as coleções de calçados e vestuários.

No caso da obsolescência técnica, é tida quando um produto é substituído por uma tecnologia mais funcional, tomando o lugar do antigo produto, ou quando as peças de reposição não estão mais disponíveis no mercado ou para fabricação, deixando o produto sem utilidade. Como exemplo, pode-se citar casos como a mudança do telégrafo para o telefone e depois para os celulares, do disquete para os CDs e depois para o USB, da máquina de escrever para os computadores e depois para os laptops.

Tem-se exemplos de casos de obsolescência de grandes e renomadas indústrias, como da Apple Inc., como a história de Casey Neistat, um artista de Nova York, onde nitidamente é um caso de obsolescência programada. Na época, Casey pagou US$ 500 por um iPod, onde após apenas 8 meses este produto apresentou defeitos na bateria. Após prestar sua queixa, a resposta obtida pela empresa Apple foi “vale mais a pena comprar um iPod novo”. Isso ocorre diariamente se pararmos para pensar. Seu celular quebrou a tela? Vale a pena comprar um novo pelo preço que será pago no conserto.

Com essa história se espalhando pelo país, Elizabeth Pritzker, uma advogada da cidade de São Francisco acionou uma ação coletiva em nome dos consumidores – na época, a Apple já havia vendido três milhões de iPods nos EUA – no caso, a empresa realizou um acordo com os consumidores, elaborando um programa de substituição das baterias e estendeu a garantia dos iPods por US$ 59.

A Apple informou que a vida útil dos produtos varia muito conforme o uso.

Outros exemplos podem ser citados, como casos de impressoras da empresa Epson, quais eram programadas para travar após certo número de impressões, dentre outros casos conhecidos.

O grande ponto em questão é: para onde vai o descarte? Quão saturado ficará esse sistema? Quanto de poluição é emitida para a fabricação em massa? Quão tudo isso é prejudicial ao meio ambiente e aos seus habitantes?

Tal processo pode trazer sérios danos ao meio ambiente, uma vez que quanto maior o consumo, mais lixo é gerado, que obviamente tem de ser descartado, assim, agredindo cada vez mais o planeta. Outro fato relevante é a exploração excessiva dos recursos naturais para a fabricação em massa dos produtos, interferindo no equilíbrio estabelecido do planeta. Maior parte desses bens descartados são eletrônicos, estes contêm peças e produtos tóxicos e muito agressivos ao meio ambiente e à saúde quando em decomposição.

Para se chegar na harmonia entre homem e meio, o nível de consumo deve ser mínimo e apenas o essencial. O que for consumido, deve entrar em um sistema de economia circular, logística reversa e reciclagem. Reduzindo danos ao meio ambiente e a saúde dos seus habitantes.