Papéis dos 5 R (Repensar, Recusar, Reduzir, Reusar e Reciclar), Desperdício de Energia e Mudança de Cultura

5 R
5 R / foto: VG resíduos

Hoje temos conceitos mais modernos para contextuar a Logística Reversa assim como a Economia Circular, estamos a anos luz do que estávamos antes (apesar de ainda faltar muito para que realmente tenhamos a Politica Nacional de Resíduos Sólidos seguida 100% conforme escrita).

Por trás dos conceitos que mais conhecemos temos os 5 R da – Repensar, Recusar, Reduzir, Reusar e Reciclar, que ao serem contextualizados nos deram um norte muito importante para chegarmos ao que temos hoje. Contextualizando os 5 R’s:

– Repensar: Fala sobre repensarmos consumo, repensarmos descarte, repensarmos todo o prejuízo que causamos em certos hábitos. Realmente precisamos consumir nesse ritmo que estamos consumindo? Hoje consumimos muitas vezes pois “está em promoção”, ou “queima de estoque”, ou “liquidação imperdível”. Na verdade, para quem estamos consumindo? Nós precisamos ou simplesmente reagimos a um chamamento para tal? Isso está por trás de uma sociedade de consumo que precisa disso para continuar a rodar, não se importando com nada além de produção e vendas.

A demanda está em nossas mãos, portanto cabe a nós mudarmos nosso foco para que com isso o mercado mude o seu foco tb. Enquanto demandarmos mais, mais nos será dado, sem olho nas consequências. E não pararemos de desperdiçar energia com coisas e serviços que não precisamos realmente.

– Recusar: Como o próprio nome diz, é dizer Não a certos atos como por exemplo NÃO comprarmos o que não precisamos naquele momento, Não comprarmos produtos suspeitos, Não aceitar Brindes cuja origem e material sejam suspeita, e assim vai… novamente nos remete a educação e mudança cultural pois vai frontalmente contra os hábitos que desenvolvemos como sociedade, Hoje não recusamos uma oferta, não recusamos coisas que não precisamos mas nos são dadas, não recusamos comer fast food e com isso, mais uma vez aumentamos a demanda de coisas que não queremos ou precisamos. Um exemplo clássico é o Automóvel: Se moramos em uma cidade com estrutura de mobilidade urbana adequada, realmente precisamos do Automóvel? Existem muitos casos de carros com 10 anos de fabricação e com 10.000 km de uso, que mesmo parados geram gastos (Seguro, Manutenção Preventiva, Impostos, etc) – “Ahh mas e quanto a viajar no final de semana?” Podemos alugar um? Podemos ir de trem, Onibus, Avião? Precisamos do que usamos, correto?

– Reduzir: Contextualiza ações no projeto do produto para que ele reduza ao máximo o seu passivo ambiental a ser descartado. Projetar produtos ECO-FRIENDLY que produzam o menos impacto possível ao meio-ambiente. Um exemplo de Redução foi a mudança nos projetos das Placas de Circuito Impresso, que usavam solda a base de chumbo e a partir de 2000, tiveram de usar outra base menos danosa. Hoje as Placas são LED-FREE o que contribuiu e muito para reduzir a agressão ao meio ambiente;

– Reusar: Atualmente produzimos produtos eletrônicos que podem ser usados continuamente se bem cuidados por até 7 a 10 anos. Caso emblemático: compro um celular o qual uso por dois anos. Quando vejo um modelo mais novo, eu o compro mas passo o celular para meu sobrinho, que por sua vez passa o dele para um amigo… até que se torne obsoleto ou inservível. O mercado de reuso finalmente esta crescendo, e assim deve ser. Se mandarmos um produto funcional e servível para reciclagem, isso seria um desperdício de energia. O produto ainda poderia adicionar valor ao mercado e poupar a energia que se despende ao ser reciclado quando ainda pode ser usado. Voces verão este mercado ainda crescer mais e se profissionalizar. É necessário para podermos manter o mundo preservado de resíduos;

– Reciclagem: Fase final da vida de um produto e ao mesmo tempo inicio da vida de outro; Ao reciclarmos podemos reduzir os componentes a matérias primas que poderão ser usadas em outros produtos… é o fechamento da Cadeia de Economia Circular… é o R que mais falamos e conhecemos.

Somente teremos resultados efetivos ao planeta se trabalharmos todos os 5 R em equilíbrio. Projetar produtos que gerem menos passivos ambientais, usar este produto realmente até sua obsolescência ou sua quebra sem recuperação, reciclar somente quando for realmente necessário, pois estamos usando energia para fazê-lo e não podemos desperdiçar. E Reciclar algo novo ou semi novo é um desperdício. E mais…. existem grandes corporações que preferem a destruição de produtos mesmo que de longa duração por motivos diversos, e se classificam como GREEN.

Hoje temos uma crise de saúde em andamento, causada por várias razões e nos forçando a re-pensar conceitos dos mais diversos.

Repensemos estes conceitos. A base é a eliminação de desperdícios…. sem esta base em nossas vidas, não vamos conviver com o planeta em harmonia. O Planeta nos fornece recursos, mas a grande maioria são finitos e não comportam a demanda da humanidade. Precisamos de uma mudança cultural urgente. A Natureza é um ente e já mostrou aquilo que sempre ouvimos e nunca nos damos conta: o livre arbítrio nos é dado, mas a colheita (consequência) é obrigatória. Hoje sabemos realmente que colhemos o que plantamos. Usemos isso para o nosso renascimento.

Marcelo Cairolli
Experiência comprovada em lançamento de novos projetos (principalmente novas subsidiárias no Brasil). Casos de DHL Supply Chain (nos projetos Ford Camaçari e Nokia Manaus), Belmont Trading Company, Arrow Value Recovery e Re-Teck; Experiência e liderança em formação de times de trabalho para lançamento de projetos e suas certificações ISO 9001, ISO 14001, OHSAS18001, e R2 (Responsible Recycling); Trabalho em projetos com resultados comprovados de redução de custos, Inovações com Re-Engenharia como os projetos IHUB da Nokia (na DHL Supply Chain), e o projeto de Re-Engenharia Operacional como Diretor Interino na Re-Teck Dallas. 30 anos de Trabalho em diferentes setores de mercado como Engenharia Industrial, Automotica, Farmaceutica, Logistica e Comercio Exterior, Reciclagem e Logística Reversa, Experiencia em trabalhos com times no exterios - mais de 50 viagens feitas a trabalho fora do Brasil.