Pesquisa on-line avalia impacto da COVID-19 na saúde mental dos brasileiros

São Paulo, SP 5/5/2020 – Entender os impactos da pandemia sobre a saúde mental é importante para que a sociedade repense suas prioridades, do ponto de vista emocional e das relações.

Questionário elaborado por portal de psicólogos mapeia como a pandemia vem afetando a saúde mental, emoções e atitudes dos brasileiros, avaliando indicadores de ansiedade e depressão, adesão ao isolamento, consumo de notícias sobre a COVID-19 e expectativas sobre o presente e futuro. Mais de 1500 já participaram. Os primeiros resultados serão divulgados em 25 de Maio.

Mudanças inesperadas de rotina, sensação de solidão, novos hábitos, instabilidade financeira, incerteza quanto ao futuro. A pandemia de COVID-19 e as medidas de isolamento social para contê-la vêm gerando preocupações com aspectos da vida que estão além da saúde física em si.

É razoável considerar que a saúde mental e emocional das pessoas tenha sido impactada pela pandemia, de alguma forma. Mas, em que medida isto aconteceu? Como as emoções, sentimentos e atitudes das pessoas foram afetadas?

Para responder algumas dessas perguntas, o portal Nossos Psicólogos lançou a pesquisa on-line “COVID-19 e a Saúde Mental do Brasileiro”, elaborada para mapear como a pandemia afetou a visão das pessoas sobre suas vidas no presente e nas expectativas para o futuro, em comparação ao que eram antes do novo coronavírus. Até 04 de maio já haviam participado mais de 1500 brasileiros de 26 estados e mais 11 países. A pesquisa pode ser respondida em apenas 4 minutos, em rebrand.ly/cv19psi.

“A pesquisa avalia alguns indicadores ligados à ansiedade e depressão, como ânimo e disposição geral, irritabilidade, padrões alimentares, consumo de álcool, sentimentos mais comuns, entre outros, sempre considerando a forma como as pessoas se sentem atualmente em comparação a antes da pandemia”, explica Helder Conde, coidealizador do portal Nossos Psicólogos e um dos organizadores da pesquisa. “Algumas das perguntas são baseadas em outros questionários internacionais de avaliação de ansiedade e depressão , como o GAD-7 e o PHQ-9, elaborados por pesquisadores da Universidade de Columbia, em Nova Iorque.”, explica.

Além disso, a pesquisa também avalia a adesão das pessoas às medidas de isolamento social, a visão delas sobre a importância de acatar ou não estas medidas, a frequência no consumo de informações sobre a pandemia e de que forma os noticiários influenciaram nesta adesão.

“Frente à instabilidade trazida pela COVID-19, consideramos que seria importante perguntar também sobre as expectativas e o grau de otimismo das pessoas com relação ao futuro”, destaca Solange Maia, coidealizadora do portal e organizadora da pesquisa. Segundo ela, “os resultados preliminares já mostram que quase 85% das pessoas, das mais diferentes faixas etárias, consideram que a pandemia tem ou terá impacto razoável ou grande em suas vidas financeiras – o que pode gerar inseguranças, incertezas e mudanças efetivas de padrão de vida e comportamento, com impacto direto sobre a saúde mental e emocional.”

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil ocupa a liderança mundial no ranking de ansiedade. Quando se fala em depressão, o país está entre os quatro com a maior incidência da doença – que é a principal causa de incapacidade no mundo, segundo a entidade. Pesquisadores da Universidade de Munique, na Alemanha, apontam a depressão como fator de risco importante para outros problemas de saúde também potencialmente graves, como as doenças cardiovasculares, diabetes, doença de Parkinson, câncer, além de aumentar a propensão ao abuso de substâncias (drogas e álcool) e estar intimamente relacionado aos casos de suicídio, para o qual o Brasil ocupa a 8ª posição mundial.

“Entender os impactos da pandemia sobre a saúde mental é importante para que a sociedade como um todo possa entender suas dores, medos, esperanças e possa repensar suas prioridades, inclusive do ponto de vista emocional e das relações humanas”, destaca Solange Maia. “Esperamos, com esta pesquisa, ajudar a mapear algumas destas questões e ter pistas de como o brasileiro vem lidando, do ponto de vista emocional, com esta nova realidade tão cheia de incertezas”, conclui.

Os primeiros resultados da pesquisa serão divulgados em 25 de maio, mas ela continuará ativa até que a OMS declare oficialmente o fim da pandemia causada pelo novo coronavírus.

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