Ainda hoje a tomada de decisão creditícia possui forte viés do modelo de cadastro negativo, que baliza todos os seus algoritmos e big-data pela inscrição, nos birôs de crédito, das mais diversas obrigações sempre que inadimplentes.  Essas informações constroem o perfil do consumidor, a quantidade de parcelas, o meio de pagamento aceito e taxa de juros praticada. Isso há mais de sessenta anos.

Mas vivemos tempos diferentes em que a política populista descredencia a informação, desconhece o mercado de crédito e envia a todos nós para o mundo dos juros altos e da compra à vista. Afastar a informação negativa do consumidor, em que pese ser um discurso fácil, resultará exatamente nisso: aumento de juros, diminuição de crédito e dificuldade de parcelamento. Viveremos o mundo “a vista” em um cenário em que já não há liquidez, os ricos continuarão ricos, outros tantos se aproximarão da pobreza e àqueles que já estão nela continuarão.

Mas podemos fazer um pacto comercial e econômico e adiantar, em alguns anos um novo modelo de análise de crédito, escolhendo o cadastro positivo. Tanto a indústria quanto o varejo possui esse instrumental. Falta-lhes hábito. Um mecanismo em que a informação de crédito valoriza a publicidade dos consumidores bons pagadores e a possibilidade de acesso às práticas de endividamento e pagamento desse consumidor pessoa física e jurídica. Uma nova dinâmica de avaliação de crédito que permite que cada consumidor possua um score baseado nos pagamentos das obrigações, individualizando mais assertivamente as taxas de juros e a quantidade de prestações que cada consumidor pode arcar. Essa mentalidade positiva já é aplicada em diversos países e nesse momento de crise deveria se tornar um pacto entre quem concede crédito e o consumidor.

Escolher analisar o crédito positivamente nos afasta das políticas públicas populistas, fortalece o pacto cívico e nós garantirá o caminho para a normalidade. 

Alexandre Damasio Coelho é presidente da CDL São Caetano do Sul e advogado.