Método foi premiado em concurso que reconhece trabalhos criados para alcançar Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Os resultados consolidados do projeto piloto de renaturalização, solução adotada pela Fundação Renova na reparação ambiental da Bacia do Rio Doce, têm demonstrado boa eficiência em restaurar as condições naturais do rio. De forma sustentável e com baixo impacto de intervenção, este projeto garantiu o 2º lugar na premiação BRICS Solutions for SDGs Awards 2021, que reconhece trabalhos de impacto realizados nos países do bloco – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – e que ajudam, por meio de projetos inovadores e soluções de base tecnológica, alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS).

Entre os resultados de destaques do ReNaturalize, que concorreu pela categoria Água Limpa e Saneamento (ODS 6), destaca-se o aumento do recrutamento dos peixes em até 38%, indicando um ambiente propício para alimentação, abrigo e reprodução de diferentes espécies. Várias espécies de peixes tiveram aumento de até 100% de biomassa amostrada, o que demonstra maior oferta de alimento. A velocidade do fluxo da água foi reduzida, aumentando o tempo de retenção hidráulica em até 63,5%, criando remansos que atraem a biota e controlam a erosão das margens. Também foi percebida uma recomposição dos habitats dentro do rio, com aumento da heterogeneidade do substrato em até 46% além do restabelecimento da cadeia alimentar entre as principais comunidades aquáticas (ictiofauna e macroinvertebrados bentônicos), indicando a capacidade em retornar as condições naturais.

Desenvolvida em parceria com a Aplysia Soluções Ambientais e implantada em 2019, essa solução integra as ações do Programa de Manejo de Rejeitos da Fundação Renova para restabelecer a vida aquática no rio Gualaxo do Norte, um dos principais afluentes do rio Doce e que abrange os municípios de Mariana, Ouro Preto e Barra Longa (MG).

“A premiação valida os esforços que a Fundação Renova tem empregado para reestabelecer as condições ambientais pré-rompimento da barragem de Fundão. Apesar de todos os desafios enfrentados, é possível, sim, devolver a vida ao Gualaxo do Norte”, afirma Paulo Machado, Especialista de Manejo de Rejeitos.

Com o objetivo de recriar características e processos ecológicos naturais em trechos afetados pela passagem de rejeitos, o Projeto Piloto de Renaturalização do rio Gualaxo do Norte foi iniciado em 2019. Ao todo, a iniciativa revitalizou uma área de aproximadamente 1,8 quilômetro, com a fixação de 79 troncos de árvores, além de 103 troncos submersos e 23 feixes de capim no decorrer do rio – em trechos a montante e a jusante, respectivamente, da confluência do córrego Santarém com o Rio Gualaxo do Norte.

Em 2020, a renaturalização foi instalada na Ponte do Gama, em Mariana, em uma extensão de dois quilômetros.