*Elizandra Costa

O Brasil vive um novo cenário econômico que impacta diretamente as finanças pessoais. Ainda no governo anterior, foi iniciado um processo de redução da taxa Selic. Neste ano, depois de novos cortes, em dezembro de 2019, verificamos a menor taxa da história: 4,50%. O que isso significa para a economia brasileira?

Muita coisa. O Banco Central fez isso para estimular o consumo e melhorar a economia. Os bancos já começam a reduzir as taxas para financiamento e empréstimos e até a famigerada taxa do cheque especial está cedendo.

Ao mesmo tempo, neste ano, com a redução da taxa de juros, o investidor mais arrojado, que quer mais lucro em seus investimentos, também vai precisar procurar opções de longo prazo e com renda variável, mas terá de ter sangue frio para as eventuais perdas. Para todos os investidores, porém, a renda fixa ainda é importante para a reserva de emergência. Contudo, a poupança já não é mais viável. 

Com a redução da Selic ao menor nível da história, a poupança deixa de ser atrativa, pois rende 70% da Selic mais a Taxa Referencial, que está zerada. Para 2020, o Boletim Focus, pesquisa com instituições financeiras divulgada semanalmente pelo Banco Central, prevê inflação oficial pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 3,6% em 2020. Com a atual fórmula de rendimento, a poupança renderá 3,15% no próximo ano. Assim, a taxa de rendimento da poupança será inferior à da inflação.

Se a poupança não é mais rentável, qual é a saída? Para despesas de emergência com situações imprevistas- como carro quebrado, desemprego, despesas com doenças, reparos na casa -, valor correspondente a aproximadamente três meses do orçamento mensal, segundo especialistas, o Certificado de Depósito Bancário (CDB) de liquidez diária com taxa acima de 100% do CDI de uma instituição sólida é ideal, pois garante liquidez imediata, ou seja, pode ser sacado a qualquer momento. Evita-se, portanto, resgates e perdas em aplicações de longo prazo, a necessidade de fazer um empréstimo ou até entrar no cheque especial.

Recente pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que 24% dos trabalhadores que recebem 13.º têm a intenção de poupar ou investir esses recursos, o equivalente a um em cada quatro. O número ainda é baixo se considerar que esse é o principal valor extra que o brasileiro recebe ao longo do ano e também o nível de endividamento do brasileiro, o que aumenta com as despesas no início de ano.

Algumas coisas mudaram bastante na economia brasileira, mas a necessidade de organizar a nossa vida financeira depende de cada um de nós. Sabemos que segurança financeira nem sempre está associada ao nível de renda e é preciso planejar as nossas finanças pessoais. Que essa seja a nossa meta para essa próxima década. Investir para não termos dívidas e também para realizarmos os nossos sonhos. Feliz 2020!

*Elizandra Costa é gerente-executiva de clientes e operações do Banco RCI Brasil, braço financeiro das montadoras Renault e Nissan.