Gabriel Mecca

Por conta da pandemia causada pelo coronavírus, os times de futebol perderam muitas formas de arrecadação, impactando muito nos balanços financeiros de todos os clubes. Como algumas equipes possuem dívidas bem altas, eles podem se complicar seriamente nas próximas temporadas. 

A maioria ficou sem entrar em campo de março até julho e, agora que voltaram, estão atuando sem a presença do público. Isso faz com que nenhum arrecade com bilheteria e a expectativa é que não tenha essa renda até encontrar uma cura para o vírus. Para ter noção de quão  importante são os ingressos, o Flamengo faturou mais R$ 90 milhões no ano passado. Recorde no futebol brasileiro na década. Na primeira temporada completa do Corinthians na Arena, que foi em 2015, o clube faturou R$ 82,5 milhões. 

E se não está tendo futebol, os patrocinadores não estão sendo mais expostos em rede nacional. Isso faz com que as marcas reduzem os contratos com as equipes. Ou pior, rompem com os clubes. Não há vantagem nenhuma colocar o dinheiro em um lugar e ele não aparecer em lugar nenhum. 

Por conta da alta dívida dos clubes, muitos dependem da venda de jogadores para fechar o ano no azul. Sem jogos, sem negociações. Os clubes europeus também foram impactados e não pretendem fazer grandes transações nessa janela de transferências. Então, quem não vendeu, não vende mais. 

Pensando nesse cenário, os clubes vão ter que encontrar soluções para faturar dinheiro. Explorar fontes que antes eram ignoradas e usar a criatividade para não ficar no vermelho. Se não fizer isso, as próximas temporadas podem ser desastrosas, pois não haverá reforços e os elencos podem ficar mais fracos. 

Veja algumas soluções que os clubes podem encontrar para ajudar na saúde financeira. 

  • Redes Sociais 

Há alguns anos, os clubes passaram a investir no Facebook, Instagram, YouTube e muitas outras plataformas na tentativa de fidelizar, ainda mais, a torcida. Mas muitos fazem apenas o básico. É só para falar que tem. 

Mas a partir de agora, não dá para as redes sociais serem apenas uma formalidade. É preciso produzir conteúdos para atrair o torcedor para a internet. Como não é possível ir para a arquibancada, será necessário fazer a galera assistir vídeos e consumir todo o tipo de material online. 

  • Ações envolvendo sócios torcedores 

O dinheiro do sócio torcedor deu um impulso nas finanças de muitos times nos últimos anos. O Vasco, por exemplo, atraiu mais de 100 mil sócios no final de 2019. Isso fez com que o clube se tornasse o maior do Brasil nesse quesito. Em questão de dias, a arrecadação do clube aumentou R$ 2 milhões.     

Chegou a hora dos clubes aproveitarem esse nicho. Como eles não estão comprando ingressos, é necessário fazer com que eles invistam o dinheiro em outra coisa. Incentive a compra de produtos licenciados do clube e faça filiação com empresas. 

O Avanti, programa de sócio torcedor do Palmeiras, tem parceria com restaurantes. O sócio que pede a comida pelas empresas delivery nesses estabelecimentos, dá uma porcentagem da venda para o clube. 

  • Novos produtos licenciados

O futebol é um dos poucos tipos de negócios que possui um público 100% fiel. Mesmo se o clube perder em campo, o torcedor não deixa de consumir. É necessário aproveitar isso, principalmente no momento de crise. 

Se antes, o clube só vendia o uniforme do time, como camiseta, agasalho e boné, agora é procurar alguns produtos que estão em alta. Os mais evidentes são as máscaras e o álcool em gel. Aquele fanático que faz questão de ter tudo do clube, vai comprar e apoiar neste momento complicado. 

Todas as ações para arrecadar mais é envolvendo o torcedor. O clube, mais uma vez, tem que chamar o público para perto e pedir ajuda para não se afundar em um mar de dívidas. 

São poucos os clubes organizados no Brasil. Se não se mexer, muitos vão sofrer com a crise financeira causado pela pandemia.