Estudo realizado pelo Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a organização ambiental WWF e a entidade filantrópicaEllen MacArthur Foundation revela que o volume global de plástico que entra no oceano deve triplicar nos próximos 20 anos. Atualmente, mais de 11 milhões de toneladas de plástico fluem para o oceano a cada ano e, apesar do crescimento de iniciativas voluntárias e regulamentações nacionais para combater a poluição por plásticos, não há sinais de que as taxas de vazamento estejam diminuindo.

De acordo com a pesquisa, o plástico é visto como o material mais prejudicial ao meio ambiente usado para itens de bens de consumo, com 65% dos consumidores globais associando-o com a poluição do oceano e 57% considerando-o prejudicial. Os dados ainda indicam que a pandemia reforçou a intenção de reduzir a poluição e o desperdício de plástico. Junto com as mudanças de comportamento pessoal, os consumidores também solicitam resposta de organizações públicas e privadas para liderar esse processo.

O estudo aponta que a produção global de plástico aumentou para mais de 450 milhões de toneladas em 2018 e, com base no crescimento atual, a projeção é que o volume triplique até 2050. O plástico tem baixos custos de produção e propriedades que o torna um excelente material para uma ampla gama de aplicações, inclusive para bens de consumo de movimento rápido. Ele também trouxe o benefício de proteger a saúde humana durante crises críticas, como a pandemia de coronavírus, ao atender a critérios de descartabilidade e higiene. No setor de saúde, por exemplo, o uso único de luvas cirúrgicas e seringas reduziram os riscos de infecções.

O número de países que implementam regulamentos sobre itens de plástico de uso único dobrou nos últimos cinco anos. Isso inclui proibições nacionais ou impostos sobre sacolas plásticas ou outros itens como canudos de plástico e talheres. Tais regulamentos já foram adotados em pelo menos 115 países ao redor do mundo em 2020 e mais 22 países declararam intenção de aplicar regulamentos semelhantes até 2021. Hoje, os 137 países que aprovaram ou planejam adotar os regulamentos relacionados ao uso de plástico até 2021 representam 6,6 bilhões de pessoas – ou 86% da população e 93% do PIB globais.

No entanto, a menos que todos os setores sejam capazes de trabalhar juntos para eliminar o uso, aumentar radicalmente os níveis de reciclagem e interromper os vazamentos no sistema atual, o plástico continuará a poluir os ecossistemas e gerará danos ecológicos, sociais e econômicos significativos. Neste sentido, o estudo ressalta que uma resposta global coordenada na forma de um tratado da Organização das Nações Unidas (ONU) é necessária para ajudar governos e empresas a nivelar o campo de atuação e promover mudanças em grande escala.

O acordo pode criar condições que permitam eliminar o vazamento de plástico para o oceano. Definir os objetivos gerais, incluindo uma meta com limite de tempo com uma data específica é um primeiro passo significativo. Um tratado eficaz pode ser fundamental para abordar as quatro barreiras principais identificadas: fragmentação de iniciativas voluntárias, desalinhamento de regulamentos, falta de dados e lacunas de capacidade estrutural.

O estudo pode ser acessado na íntegra por meio deste link: https://lp.panda.org/plastic-pollution-report